Que a Itália é um encanto e um dos destinos mais desejados por turistas do mundo inteiro, ninguém discute. Porém, algumas regiões italianas ainda não são tão conhecidas pelo grande público, o que é uma pena, pois trazem paisagens inesquecíveis, além, é claro de uma gastronomia inconfundível, considerada uma das marcas mais fortes do país.
Apesar de pequeno, quando comparamos com o Brasil, a Itália é subdividida em 20 regiões autônomas e quando vemos o nome de Friuli Venezia Giulia, remetemos nossa imaginação automaticamente para a maravilhosa cidade de Veneza, mas esta pertence à região de Veneto. A região Friuli Venezia Giulia também fica no norte da Itália, justamente na divisa com a Áustria e a Eslovênia, dois países que trazem diversos encantos para os turistas.
Essa sua posição geográfica transformou a região em um palco de diversos acontecimentos históricos. Por ser fronteira, já foi habitada por diversas culturas, como a dos Celtas, por exemplo, logo nos primórdios. No século II A.C. foi invadida pelos romanos que em 50 D.C. fundaram Aquiléia, uma das mais importantes cidades, e que mais tarde foi arrasada por Átila, o rei dos Unos. A região ainda foi invadida pelos Otomanos e sofreu sucessivas invasões bárbaras. Em 922 passou ao controle germânico e, em 1077, pertencia aos doges de Veneza. Em 1797, tornou-se austríaca, em 1805, veneziana, e em 1814 austríaca novamente, sendo reincorporada à Itália apenas em 1918.
Hoje sua capital é Triestre, uma charmosa cidade a beira do mar Adriático, há uma hora de carro de Liubliana, a capital da Eslovênia, e há 40 minutos a barco de Veneza. Trieste é repleta de palácios e vale à pena passear por suas calçadas históricas e visitar o palácio de Miramare, que abriga, em uma das salas, a foto de do imperador Pedro I, ilustre freqüentador do local.
É uma surpresa atrás da outra percorrer essa região. A gastronomia é ímpar, e por isso sugiro o famoso presunto San Daniele, os queijos da região de Carnia, a polenta feita de trigo ou de trigo sarraceno, as sopas de feijão com cevada e ervas finas, nhoques ou ainda o “kineglis”, que são nhoques de ameixa amarela. E é lógico que acompanhados de um bom vinho local, conhecido como Tocai friulano.
É uma viagem para ser feita em sete dias, tanto por casais, como por grupos, com passeios para diversos lugares. Em Udine, sugiro o castelo Duomo e a “Loggia del Lionello”, salão da cidade, construído entre 1448 e 1457 no estilo veneziano gótico, oposto à torre do relógio (Torre dell’Orologio) que se assemelha àquela da praça São Marco, em Veneza. A praça principal foi começada em 1448 projetada por Nicolò Lionello, um ourives local, e reconstruída depois de um incêndio em 1876. O novo projeto foi arquitetado por Andrea Scala.
Em Aquiléia, sugiro a “Chiesa dei Pagani”, com seus mosaicos que foram salvos da destruição de Átila, além do museu paleocristiano, as basílicas e o porto fluvial. Já em Spilimbergo, recomendo o castelo, o Duomo de Santa Maria Magiore, e a famosa escola de mosaicos, onde é possível assistir uma aula em cada uma das classes (os cursos duram três anos). Logo na entrada do lugar os turistas ficam admirados, mas não é preciso se preocupar, pois se decidirem comprar algumas das obras, eles entregam no Brasil.
Realmente é uma viagem que vale à pena, até por conta da sua posição, que no passado trouxe guerras, mas que hoje permite ao turista conhecer um pedaço único da Itália e ainda percorrer outros países europeus, como a Croácia, Áustria e Eslovênia.




