No dia 05 de Dezembro a Jornalista e escritora Andréia Couto Lança um livro reportagem contando sobre o massacre de 1994 em Ruanda, na África.
O livro-reportagem O país das mil colinas trata do último genocídio do século XX: o genocídio de Ruanda, ocorrido em 1994, que no curso de três meses, deixou cerca de um milhão de mortos, principalmente Tutsis e os chamados Hutus moderados. No entanto, no Brasil quase nada se falou a respeito na época e os jornais que noticiaram os dez anos de genocídio trouxeram alguma matéria recebida de agências internacionais.
O que ficou gravado na memória de quem se recorda desse episódio foi que naquele período, em um país longínquo e minúsculo da África Central, houve uma guerra entre duas etnias rivais – Tutsi e Hutu, que acabou por causar milhares de mortes entre os dois grupos. O senso comum assim analisa o que vem ocorrendo no continente africano desde o desmonte do sistema colonial, no final da década de 1950: grupos de etnias diferentes, historicamente rivais, matando-se uns aos outros. No entanto, as rivalidades étnicas, simplesmente, não são suficientes para explicar a complexa situação africana desde o processo de descolonização, quando um a um dos países africanos, então sob o jugo de países europeus como Inglaterra, França, Bélgica, entre outros, foram tornando possível o seu desmembramento de suas metrópoles.
O genocídio ruandês é visto como um dos fatores desestabilizadores da situação política e social local, uma vez que forneceu os principais elementos que agora podem ser considerados como um dos maiores pontos de tensão entre os dois países: os ex-refugiados Hutus, a maioria vivendo hoje em imensos campos de refugiados na República Democrática do Congo. Paralelamente, a região é assolada por uma série de outros atritos, que ganham envergadura a partir do momento em que são situações fomentadas por toda a sorte de negócios ilícitos, como tráfico de diamantes e armas, não raro sob a benevolência de governos regionais.
Após mais de uma década do genocídio, a região ainda vive momentos de tensão: desde o final de 2008 a fronteira entre Ruanda e a República Democrática do Congo tem presenciado movimentações de tropas dos dois países e os deslocamentos de refugiados voltaram a acontecer, mostrando imensos contingentes de civis deixando suas casas temendo o aumento da violência. Ao que tudo indica, o período de aparente tranqüilidade vivido na região parece estar ameaçado.
Lançamento: 05/12/2013
A partir das 18h00, na ACI – Associação Campineira de Imprensa –
Rua Barreto Leme, 1479, Centro, Campinas-SP.





