De acordo com dados do IBGE, cerca de 10% das crianças e adolescentes brasileiros possui sobrepeso e 7,3% sofre de obesidade
A obesidade é um processo que está associado, quase sempre, a múltiplas causas simultaneamente, razão pela qual é uma doença de difícil tratamento. Entre estas, existem fatores biológicos e ambientais. Os fatores biológicos são a genética e o metabolismo, os ambientais são características psicológicas, hábitos alimentares e atividades físicas.
Lanches gordurosos, batatas fritas, doces e refrigerantes não podem faltar na lista dos sabores que os pequenos mais gostam, especialmente pelo estímulo gerado pela propaganda de produtos industrializados e dos fast-foods.
Somado a essa oferta gastronômica nada saudável, tem-se ainda o fato das brincadeiras de rua sendo trocadas pelo vídeo-game e computador. O resultado destes fatores é um volume cada vez maior de crianças obesas, aumentando ainda mais as estatísticas deste que é considerado um problema de saúde pública mundial.
A obesidade infantil acarreta, dentre outros problemas, a hipertensão, colesterol elevado, diabetes mellitus tipo 2, doenças ortopédicas, apnéia do sono e problemas psico-sociais. E estes problemas tendem a piorar na fase adulta, pois uma criança obesa tem grandes chances de ser um adulto obeso.
As crianças que apresentam sobrepeso ou obesidade apresentam os seguintes hábitos e características:
Come vorazmente;
Uma hora e meia após a refeição já está com fome novamente;
“Limpa“ o prato rapidamente;
Normalmente, repete a refeição;
Come escondido;
Só se satisfaz com dois ou três copos de suco ou refrigerante;
Pede lanches fora de hora;
Solicita sempre uma porção extra de comida.
De acordo com dados do IBGE, cerca de 10% das crianças e adolescentes brasileiros possui sobrepeso e 7,3% sofre de obesidade. As classes sociais que mais possuem casos de obesidade infantil são a média e alta. “Estudos brasileiros mostram que nas escolas privadas a prevalência de sobrepeso e obesidade é maior que nas escolas públicas e este dado se justifica pelo acesso mais fácil das crianças de nível sócio-econômico melhor a alimentos ricos em gorduras e açúcares simples, assim como as modernidades tecnológicas que elas têm acesso e que levam ao sedentarismo.
Outro importante fator para a obesidade dos filhos é originário dos próprios pais. Quando um dos pais é obeso, o risco de a criança ser obesa é de 50%. Se o pai e a mãe são obesos, esse risco sobe para 90% e sabemos que embora os fatores genéticos respondam por 24 a 40% dos casos de sobrepeso, não se pode negar o efeito do exemplo e compartilhamento de atitudes da família.
Como cuidar de uma criança com sobrepeso
Autorize a ingestão de todos os alimentos
Estabeleça horários para refeições e lanches
Ensine a comer devagar
Não a deixe fazer as refeições vendo televisão
Diminua pouco a pouco a quantidade de alimentos
Nas refeições, ofereça um copo de suco, no máximo, ou água à vontade
Sanduíches são permitidos, desde que elaborados com alimentos pobres em gorduras
Diminua a quantidade de alimentos gordurosos e de frituras
Individualize as porções dos alimentos consumidos pelas crianças
Cuide do corpo e da mente da criança
O estilo de vida da criança se reflete diretamente no seu peso. Crianças menos ativas, mesmo não comendo em excesso, têm um risco maior de se tornar obesas. Daí a necessidade de estimulá-las a fazer atividades em ambientes ao ar livre, a passear a pé, ir a parques e participar dos serviços domésticos.
A obesidade certamente não aparece da noite para o dia e manter o peso não é tarefa das mais fáceis, principalmente para aqueles que têm propensão para engordar. É resultado de uma série de fatores e, por isso deve ser tratada simultaneamente por um conjunto de profissionais (pediatra, nutricionista, psicólogo e educador físico).
Constrangimentos e repreensões em público ou na hora das refeições são cargas difíceis de suportar por indivíduos tão imaturos. Por isso, a família não pode exigir que a criança tenha um comportamento coerente em relação a esta questão. O apoio familiar é a única via para mudar os hábitos arraigados que levaram ao sobrepeso ou obesidade.




