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quinta-feira, abril 23, 2026
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Ex-Testemunhas de Jeová fizeram protesto em SP contra chegada de líder mundial da Igreja ao Brasil

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Uma manifestação de ex-testemunhas de Jeová aconteceu no sábado (15/2), em SP, em protesto à chegada ao Brasil do líder norteamericano das Testemunhas de Jeová, Robert Ciranko. O religioso estará no País, para uma série de compromissos institucionais, incluindo a discussão sobre a queda do número de fiéis nos estados brasileiros desde 2020. Ex-membros da doutrina estarão à frente do ato, marcado para ter início às 8h, em Cesário Lange, cidade-sede da religião Betel no País. A manifestação se dará em repúdio aos casos de pedofilia entre lideranças da denominação, a discriminação a ex-membros e o posicionamento contrário da congregação quanto à transfusão de sangue em adeptos.

Cerca de 50 dissidentes que perderam o contato com familiares ainda fiéis aos conceitos do Testemunhas de Jeová estarão no ato. O grupo busca, não de hoje, revogar dentro da Igreja a proibição de se conviver com ex-membros e praticantes da religião, sejam estes parentes ou amigos. Os protestos a Ciranko também visam derrubar a exigência de haver, no mínimo, duas testemunhas para que casos de pedofilia praticados por membros da denominação sejam, somente assim, julgados pela Igreja. A medida, segundo os ex-fiéis, tem deixado um sem-número de estupradores e de pedófilos impunes.

Marcado para ter início às 8h, com concentração na praça “Padre Adolfo Testa”, popularmente conhecida como praça da Matriz, o ato está sendo organizado e será conduzido, no sábado, por Yann Rodrigues, ex-Testemunha de Jeová. O profissional liberal foi expulso da própria casa, aos 15 anos, quando se desvinculou da religião. Desde 2024, lidera o Movimento de Ajuda às Vítimas das Testemunhas de Jeová (MAV-TJ), voltado para quem se sente lesado pela Igreja, por sua pregação, suas doutrinas e seus membros:

“Muitas Testemunhas de Jeová dizem que não orientam ninguém a perder laços familiares, já que a escolha em seguir ou não a religião é assunto pessoal. Só que, na prática, não é isso o que acontece. O próprio líder da doutrina (Robert Ciranko) reforça a ideia de que fiéis devem recusar contato com ex-membros; que não devem se sentar na mesma mesa – isso tudo ‘em nome de Jeová’. Ora, está clara a segregação, a discriminação. Aliás, há orientações neste sentido em sites e revistas oficiais da doutrina”.

Segundo Rodrigues, apenas a revogação total desta orientação, inclusive nos canais oficiais e nas publicações da denominação religiosa, vai permitir que pessoas, hoje, afastadas dos familiares que ainda seguem o Testemunhas de Jeová, retomem o convívio doméstico e restabeleçam laços afetivos rompidos:

“Há famílias divididas, fragmentadas por esta ideia, tão ultrapassada e separatista. E isso acontece em várias partes do Brasil e em diferentes camadas sociais. Para se ter ideia da complexidade do assunto, há quem tenha de registar Boletim de Ocorrência (B.O.) para documentar e justificar perante às autoridades o abandono por parte de pais ou dos filhos – justamente, em razão do não convívio determinado pela Betel. Para as Testemunhas de Jeová, só podemos ‘voltar para casa’ e sermos ‘dignos de perdão’, caso frequentemos de novo a Igreja. É quase uma ditadura; uma imposição em pleno 2024”, lamenta.

A rejeição faz com que ex-membros da congregação procurem reparação na Justiça e apoio psicológico. O isolamento provocado por algumas famílias faz com que ex-Testemunhas de Jeová passem a desenvolver ansiedade, pânico, pavor e medo – cenário que piora, de forma substancial, em datas festivas, como o Natal, e em encontros familiares, só para citar algumas ocasiões:

“Trata-se de uma dor irreparável. Desejamos que Ciranko se solidarize com nossa dor e revogue esta medida que afeta a saúde mental de todos nós. Somos vítimas deste sistema doentio e retrógrado”, acrescenta Rodrigues.

Transfusão de sangue

Os dissidentes da Testemunhas de Jeová também querem derrubar o que a denominação chama de “Doutrina de Sangue” – medida que impede que fiéis praticantes recebam transfusão, mesmo em caso de risco de vida.

De acordo com Rodrigues, há testemunhos terríveis quanto à prática, que já teria vitimado 80 mil crentes apenas no Brasil. O número considera, inclusive, crianças.

“Isso é doutrina extremista de morte. Repudiamos isso”.

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