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terça-feira, maio 19, 2026
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Polícia Civil investiga extorsão e fraude em contrato milionário da Prefeitura de São Paulo e envolve produtora do filme de Bolsonaro

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O cenário descrito envolve uma complexa teia que mistura a execução de políticas públicas de inclusão digital, suspeitas de crimes financeiros e conexões com o meio político e cultural

Foto reprodução

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A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar denúncias de extorsão, fraude processual e estelionato envolvendo a execução de um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). A entidade, responsável pela instalação de 5.000 pontos de Wi-Fi Livre em regiões vulneráveis da capital paulista, é presidida pela empresária Karina Ferreira Gama. Karina também é a única sócia da Go Up Entertainment LTDA, produtora do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro [PL].

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O caso, que já vinha sendo acompanhado pelo Ministério Público por suspeitas de superfaturamento, ganha contornos de crise com o corte de sinal em comunidades carentes e acusações de chantagem nos bastidores.

Disputa comercial e corte de internet na periferia

O desentendimento que motivou a abertura do inquérito policial no último dia 5 de maio, pelo delegado Nelson de Camargo Rosa, do 78º DP (Jardins), envolve o ICB e a subcontratada Ultra IP, empresa escolhida para implantar e manter os links de internet. Em boletim de ocorrência, Karina Ferreira Gama alega que a parceira técnica cometeu “reiterados descumprimentos, inconsistências técnicas e administrativas”, além de apresentar relatórios falsos sobre as metas atingidas.

De acordo com a denúncia, a Ultra IP teria interrompido deliberadamente cerca de 800 links de internet ativos em bairros periféricos, gerando grave prejuízo à população assistida pelo programa municipal.

ASelected pela prefeitura por meio de um chamamento público defendido pela gestão municipal como “transparente e sem contestações”, a OS (Organização Social) enfrenta agora o desafio de justificar as falhas estruturais apontadas na execução do serviço de conectividade.

Ameaça de exposição e a tese de fraude

O cerne da investigação policial reside na acusação de que o proprietário da Ultra IP, William Silva Ferreira, teria tentado obter a quantia de R$ 2,5 milhões por meio de “pressões indiretas” e ameaças de exposição midiática de documentos internos da ONG. De acordo com o despacho do delegado do 78º DP, há indícios de que o empresário investigado tentou “deslocar a responsabilidade pelos fatos”. Para isso, teria ajuizado uma ação de produção antecipada de provas com o objetivo de construir uma aparência de legitimidade e influenciar o contexto probatório final.

Procurado, William Silva Ferreira negou veementemente as acusações e afirmou que recorreu ao Poder Judiciário unicamente por não ter recebido os valores devidos pelo ICB referentes aos serviços de infraestrutura que foram efetivamente prestados na capital. Karina Gama não se manifestou até o fechamento desta edição.

Conexões políticas e a mira dos órgãos de controle

Paralelamente ao inquérito policial, o contrato de R$ 108 milhões do Wi-Fi Livre é alvo de apuração do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) desde janeiro deste ano, após representação feita pelo vereador Nabil Bonduki [PT]. A representação aponta indícios de direcionamento no chamamento público, ausência de concorrência real e um potencial superfaturamento que atinge a cifra de R$ 27 milhões aos cofres públicos municipais.

O cenário se torna ainda mais sensível diante do cruzamento de dados empresariais que ligam o ICB ao tabuleiro político nacional. A produtora de Karina Gama, responsável pelo longa-metragem focado na trajetória de Jair Bolsonaro [PL] — estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel —, entrou recentemente no radar da Polícia Federal (PF). Áudios vazados e revelados pelo veículo The Intercept Brasil expuseram o senador Flávio Bolsonaro [PL-RJ] intercedendo diretamente junto a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em busca de aportes financeiros milionários para viabilizar a conclusão da obra cinematográfica.

A teia que une os recursos da conectividade pública em São Paulo e o financiamento da cinebiografia de direita permanece sob forte escrutínio judicial e parlamentar.

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