Uma manifestação popular para dar mais força ao movimento “Cachoeiras Vivas”, que luta contra a instalação de quatro miniusinas hidrelétricas em cachoeiras de Socorro, Munhoz e Bueno Brandão, será realizada no próximo sábado, dia 6 de fevereiro, em Socorro. A concentração está marcada para às 8h30, em frente à antiga prefeitura, na Rua Dr. Campos Salles, no centro da cidade. Em seguida, uma passeata, acompanhada de um trio elétrico e da banda municipal, seguirá até a Avenida Coronel Germano, também no centro.
Os organizadores do movimento, formado por ambientalistas, ONGS, e empresários, convidam para a manifestação todas as pessoas que querem ter as cachoeiras das suas cidades preservadas, sem a instalação das Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) que podem transformar trecho das corredeiras em rios de pedra gerando impactos ambientais e econômicos desastrosos na região.
No evento, estarão presentes ONGs, ambientalistas, autoridades, clubes de serviços, empresários do turismo, representantes do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) e do Conselho de Meio Ambiente (COMDEMA), além de moradores das três cidades e estudantes. Quem quiser mais informações sobre a passeata deve ligar no telefone da Associação Ambientalista Copaíba, no número (19) 3895-8382.
Movimento luta desde agosto em favor das cachoeiras
Desde agosto do ano passado, um grupo de ambientalistas, ONGs, moradores e autoridades políticas de Socorro, Bueno Brandão e Munhoz, lutam para evitar que empresas sediadas no Estado de Goiás implantem 4 miniusinas hidrelétricas na bacia do Rio do Peixe, localizada no sul de Minas Gerais e no leste Paulista, para gerar no total 4 MWh de energia, ou seja no máximo 1 MWh cada uma.
Especialistas e população acreditam que o empreendimento é uma ameaça o turismo e o meio ambiente das cidades sedes. De acordo com o Cachoeiras Vivas, além de impactos ambientais irreversíveis, a perda no setor turístico é incalculável. Os participantes do Movimento não questionam a necessidade de ampliação da matriz energética nacional, o que eles querem é que se preservem os trechos hídricos, que são atrativos turísticos naturais, e consequentemente se mantenha o desenvolvimento econômico dos municípios através do turismo com geração de empregos e renda sempre pautados pelo princípio da sustentabilidade.
As Ongs que compõem o movimento Cachoeiras Vivas são: Copaíba, Projeto Piracema e GEA. Além das entidades, o Núcleo Ambientalista de Socorro, os moradores e visitantes das cidades afetadas participam ativamente do Movimento. Saiba mais sobre o Cachoeiras Vivas no http://cachoeirasvivas.blogspot.com
Relatório conclui que cachoeiras podem virar rio de pedras
Um relatório elaborado para identificar os impactos ambientais causados pela instalação das Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGH’s) na bacia do Rio do Peixe concluiu que os trechos represados com o empreendimento deixarão as cachoeiras da região com aparência de um rio de pedras, já que haverá diminuição do volume de água no local. O documento foi produzido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica dos afluentes mineiros dos rios Mogi Guaçu e Pardo (CBH Mogi-Pardo).
Produzido por uma comissão de conselheiros das Câmaras Técnicas (CTs) do Comitê, o relatório foi elaborado depois que o movimento “Cachoeiras Vivas” apresentou um abaixo-assinado com 12.342 assinaturas de pessoas contrárias ao empreendimento, em outubro do ano passado.
Em relação ao Rio Cachoeirinha, onde há previsão para instalação de duas CGHs sequenciais (CGH Cachoeirinha e CGH Limoeiro), a análise constatou que “do ponto de vista de beleza cênica, o cenário futuro é de um trecho de 1,145 km (1145 metros) de exposição rochosa do leito do rio margeado por tubulação em seu lado esquerdo”.
Além disso, serão construídas duas barragens de concreto na cachoeira do Limoeiro. Além do impacto visual causado pelas barragens, os represamentos totalizarão mais de 2 mil metros quadrados, quando somado duas CGHs, o que cobrirá as cachoeiras e corredeiras nestes locais pela lâmina de água do represamento.
Uma das constatações mais graves foi que no período de maio a dezembro o trecho de vazão reduzida (1.145 metros de rio) terá somente 300 litros de água por segundo. Segundo especialistas, na mesma época, o rio fica em média com 1.460 litros por segundo de água correndo nas cachoeiras. Portanto, neste trecho de vazão reduzida, o encachoeiramento atual será substituído pelo afloramento rochoso, muito fraturado que compõem o leito do rio, ou seja, o rio ficará com muitas pedras e fendas aparecendo.
Serviço:
Evento: Manifestação popular a favor das cachoeiras
Local: Rua Dr. Campos Salles, em frente à antiga prefeitura, no Centro de Socorro
Horário: 8h30
Telefone: (19) 3895-8382




