Fototerapia resgata a autoestima de deficientes físicos
Fotógrafa de São Paulo faz um trabalho pioneiro com modelos deficientes
Em uma sociedade dominada por preconceitos e padrões estéticos pré-estabelecidos, uma pessoa se destacou ao quebrar barreiras e realizar um trabalho diferente. Há sete anos a fotógrafa Kica de Castro realiza um projeto de modelos com deficiência física, buscando melhorar a autoestima destas pessoas consideradas diferentes, mas que possuem potencial para serem símbolos de beleza e sensualidade.
Tudo começou em 2002, quando Kica foi contratada para trabalhar em um centro de reabilitação para pessoas com deficiência física no setor de fotografia. Na ocasião eram realizadas fotos científicas, para prontuários ou artigos específicos. As fotos eram totalmente invasivas, feitas com os pacientes nus, segurando uma placa com a numeração do prontuário. “Os pacientes falavam: ‘É para uma ficha criminal? ’. Isso acabava com a autoestima de qualquer um, dos pacientes e a minha como profissional também”, conta Kica.
E assim a fotógrafa começou a realizar um trabalho de fototerapia, ajudando as pessoas com deficiência física a se sentirem belas. Com o tempo os deficientes físicos começaram a procurá-la para fazer books e cobrar oportunidades no mercado de trabalho, dando início à Agência Estúdio e Imagem, especializada em modelos com algum tipo de deficiência física. Recentemente foi firmada parceria com uma agência na Alemanha, dando maior visibilidade ao trabalho, o que resultou em desfiles e exposições fotográficas.
Para Kica, ainda falta às pessoas entenderem que o deficiente físico deve ser visto como qualquer outra pessoa, com toda a vontade de estar inserido no mercado de trabalho apesar das limitações. “Estão no mercado graças ao talento e não para serem vistos como os coitadinhos”, acrescentou.
Falta ainda entender que a humanidade é bela em sua diversidade, e o deficiente físico também está inserido nesta realidade. “O que precisa realmente acontecer e acabar com a pior deficiência da humanidade, que é o preconceito. Quando isso acabar, teremos um mundo bem melhor, afinal não existe a perfeição”.




