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terça-feira, junho 16, 2026
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Megaoperação no Rio revela fábrica clandestina de fuzis em São Paulo

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Polícia apreende 91 armas de guerra e descobre indústria ilegal que abastecia o Comando Vermelho em favelas cariocas e outros estados


Por Sandra Venancio | Jornal Local

A Polícia do Rio de Janeiro realizou a maior apreensão de fuzis registrada em uma única operação em favelas: 91 armas de alto poder de fogo, capazes de perfurar coletes à prova de balas e até paredes, foram retiradas do Complexo do Alemão, na zona norte da capital. A operação, focada no combate ao Comando Vermelho (CV), também revelou uma rede industrial clandestina em São Paulo e Minas Gerais, responsável pela produção de grande parte do arsenal da facção.

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Segundo a investigação, os armamentos chegavam ao Rio não apenas por rotas tradicionais de fronteira com Paraguai e pelo norte do país, mas também por meio da produção local em fábricas ilegais, equipadas com tornos e fresadores de alta precisão. Na cidade de Santa Bárbara d’Oeste (SP), a Polícia Federal encontrou cerca de 150 fuzis prontos e 30 mil peças, com capacidade de produzir até 3.500 armas por ano.

A Polícia Federal estima que a rede clandestina tenha fornecido cerca de mil fuzis a facções criminosas no Rio, incluindo Complexo do Alemão, Rocinha e Complexo da Maré, Foto Reprodução X

Rafael Xavier do Nascimento, responsável pelo transporte do arsenal, foi preso em flagrante na Via Dutra com 13 fuzis e mensagens que indicavam envio regular das armas para o Rio e outras regiões, incluindo áreas de milícias. Em outro flagrante, Anderson Custódio Gomes, do núcleo operacional da quadrilha, e um comparsa foram interceptados transportando peças suficientes para produzir 80 fuzis, com destino a um depósito em Americana (SP).

O esquema criminoso se disfarçava por meio de uma fachada de CNPJ de fábrica de peças aeronáuticas, pertencente ao piloto Gabriel Carvalho Belchior, que está foragido. Documentos e imagens das investigações mostram a sofisticação da operação, considerada uma planta industrial profissional, com equipamentos que custariam milhões de reais, segundo o delegado Samuel Escobar.

A Polícia Federal estima que a rede clandestina tenha fornecido cerca de mil fuzis a facções criminosas no Rio, incluindo Complexo do Alemão, Rocinha e Complexo da Maré, além de milícias e grupos em Bahia e Ceará. Na megaoperação, pelo menos 25 dos fuzis apreendidos eram AR-15, calibre 556, compatíveis com os produzidos em Santa Bárbara d’Oeste.

O Instituto Sou da Paz aponta que o número de fuzis apreendidos no Rio cresceu 32% entre 2019 e 2023, mostrando o aumento da sofisticação e da circulação de armas de guerra no estado.

A defesa de Silas Diniz Carvalho e Anderson Custódio Gomes, atualmente presos, não se manifestou, e as autoridades não localizaram Marcely Ávila Machado e Gabriel Carvalho Belchior, que continuam foragidos. A Polícia Civil ainda fará perícia detalhada em todos os armamentos apreendidos para confirmar origem e capacidade de disparo.

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