Davi Alcolumbre, autoriza viagem com todas as despesas pagas pelo Senado como passagens aéreas, diárias, hospedagem, alimentação, deslocamentos internos e seguro-viagem
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarca nos próximos dias para Israel em missão oficial autorizada e custeada pelo Senado Federal, em meio ao movimento de consolidação de seu nome como pré-candidato à Presidência da República e à ampliação de vínculos com a direita internacional. A viagem ocorre em um momento estratégico para o clã Bolsonaro, que busca manter projeção externa mesmo após reveses políticos e judiciais no Brasil.
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Flávio participará da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, em Jerusalém, nos dias 26 e 27 de janeiro. O senador foi convidado para palestrar ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que perdeu o mandato no ano passado. O evento conta com apoio de integrantes do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e terá discurso do próprio premiê israelense.

A missão foi autorizada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em despacho assinado em 22 de dezembro. Pela autorização, todas as despesas do parlamentar — passagens aéreas, diárias, hospedagem, alimentação, deslocamentos internos e seguro-viagem — serão pagas com recursos públicos, conforme as normas internas da Casa para missões oficiais no exterior.
O Senado atualizou no início do ano o valor das diárias internacionais para US$ 656,46. Alcolumbre autorizou um período de 12 dias de missão oficial, abrangendo compromissos informados por Flávio Bolsonaro em Israel, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. Com isso, o senador terá direito a quase US$ 7,9 mil em diárias, valor que supera R$ 42 mil na cotação atual, sem contar o custo das passagens aéreas, ainda não informado.
Pelas regras do Senado, a prestação de contas das passagens pode ser apresentada até cinco dias úteis após o retorno ao Brasil. As diárias, por sua vez, são pagas antes do início da agenda oficial, marcada para o dia 26 de janeiro.
Embora formalmente enquadrada como missão institucional, a agenda do senador tem forte conteúdo político. A assessoria de Flávio informou que sua participação no evento abordará diretrizes que ele pretende adotar em um eventual futuro governo, além de reforçar relações bilaterais construídas durante a gestão de Jair Bolsonaro. O discurso ocorre em um ambiente internacional claramente alinhado a pautas conservadoras e a lideranças da direita global.
Além dos irmãos Bolsonaro, a conferência reunirá autoridades estrangeiras identificadas com esse campo político, como o ministro da Justiça da Argentina, Mariano Cúneo Libarona, o primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, e o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee. Flávio também deve participar de um jantar de gala restrito a autoridades no dia 26.
Encerrada a etapa em Israel, a comitiva seguirá para o Bahrein, entre 28 de janeiro e 2 de fevereiro, e depois para os Emirados Árabes Unidos, de 3 a 6 de fevereiro, ainda dentro do período autorizado como missão oficial.
A viagem de Flávio Bolsonaro expõe a linha tênue entre agenda institucional e projeto político pessoal. Embora amparada pelas regras do Senado, a missão ocorre em meio à construção de uma pré-candidatura presidencial e ao esforço do bolsonarismo para manter relevância internacional. O uso de recursos públicos para uma agenda com discurso programático de futuro governo e articulação com a direita global tende a alimentar questionamentos sobre finalidade pública, custos envolvidos e os limites entre representação do Estado e promoção política individual.




