Representações envolvem contratos na educação, denúncias trabalhistas e oferta de crédito consignado a aposentados

<OUÇA A REPORTAGEM>
<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou nesta terça-feira (28) representações à Procuradoria-Geral da República e ao Ministério Público do Trabalho contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e empresas ligadas ao seu grupo familiar. As denúncias apontam possíveis irregularidades em contratos públicos, suspeitas de trabalho em condições análogas à escravidão e práticas financeiras envolvendo aposentados e pensionistas.
As representações também foram encaminhadas ao Banco Central do Brasil, ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria Nacional do Consumidor, ampliando o alcance das apurações nas esferas civil, administrativa e criminal.
Contratos, trabalho e crédito sob investigação
Um dos focos das denúncias envolve contratos que somam cerca de R$ 848,8 milhões para fornecimento de material didático à rede estadual de ensino em Minas Gerais. Os acordos foram firmados com a empresa Fazer Educação, antiga Sudu Tecnologia Educacional. O parlamentar solicita apuração sobre o volume dos contratos, uso de atas de registro de preços e eventuais falhas na execução pedagógica.
Outro ponto diz respeito a uma denúncia encaminhada ao Ministério Público do Trabalho sobre 22 motoristas que atuavam em atividades ligadas ao centro de distribuição do Grupo Zema, em Araxá (MG). Segundo os documentos, há indícios de jornadas exaustivas, que chegariam a até 19 horas diárias, o que pode caracterizar condição análoga à escravidão conforme a legislação trabalhista brasileira. A representação sustenta que a responsabilidade pode alcançar não apenas a empresa terceirizada, mas também a estrutura operacional do grupo.
As representações também citam a atuação da Zema Financeira na oferta de crédito consignado a aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais. Entre os pontos levantados estão possíveis práticas abusivas, risco de superendividamento e falta de transparência em operações como portabilidade e refinanciamento de dívidas.
As denúncias convergem para o impacto sobre populações vulneráveis, como trabalhadores submetidos a condições degradantes e beneficiários expostos a compromissos financeiros prolongados. Os pedidos incluem investigação detalhada, eventual responsabilização dos envolvidos e adoção de medidas de reparação coletiva.
Em declaração nas redes sociais, Rogério Correia afirmou que o ex-governador “pode ser preso”, citando a gravidade das suspeitas. Até o momento, Romeu Zema e as empresas mencionadas não se manifestaram publicamente sobre o conteúdo das representações.




