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quinta-feira, março 5, 2026
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Entidades de imprensa denunciam plano de intimidação contra jornalistas ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro

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Organizações cobram investigação rigorosa após revelação de tentativa de ataque contra colunista

Setor pede rigor nas investigações e diz que não vai se calar. Foto Divulgação Banco Master

Entidades representativas da imprensa reagiram nesta quarta-feira (4) às revelações da investigação que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro e manifestaram repúdio ao suposto plano de intimidação contra jornalistas. As informações vieram à tona na terceira fase da Operação Compliance Zero e constam em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

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Segundo a decisão judicial, as investigações apontam que o empresário teria estruturado um núcleo voltado à intimidação de profissionais da imprensa. De acordo com o magistrado, o objetivo seria “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.

A apuração menciona uma troca de mensagens entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado nas investigações pelo apelido de “Sicário”. Conforme os registros analisados pelos investigadores, o grupo teria discutido a simulação de um assalto para agredir o jornalista Lauro Jardim, que atua no jornal O Globo.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo classificou a revelação como grave. “É estarrecedora a revelação de que ele cogitou arquitetar um assalto violento, ou que simulasse cenário semelhante, contra o jornalista Lauro Jardim, para intimidá-lo, ‘prejudicar violentamente’ e ‘quebrar todos os dentes’”, afirmou a entidade.

O jornal O Globo também se manifestou e defendeu a investigação completa do caso. Em nota, o veículo afirmou que os envolvidos devem ser responsabilizados e garantiu que os profissionais continuarão acompanhando o tema. “O veículo e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão trazendo à luz informações de interesse público.”

A Associação Nacional de Jornais afirmou que a tentativa de intimidar jornalistas por meio da violência representa um ataque direto à liberdade de expressão. “Métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira.”

Também se manifestaram a Federação Nacional dos Jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro. As entidades afirmaram que episódios desse tipo refletem um ambiente de hostilidade crescente contra profissionais da imprensa no país. “Atacar um jornalista é atacar toda a sociedade, que depende da informação livre, crítica e independente”, destacaram.

A Fenaj afirmou ainda que exige investigação rigorosa e punição exemplar aos envolvidos, além da adoção de medidas efetivas de proteção aos profissionais de comunicação.

O Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais destacou que a liberdade de imprensa prevista no artigo 220 da Constituição Federal não é um privilégio corporativo, mas um direito coletivo da sociedade. Segundo o órgão, ameaças ou agressões contra jornalistas comprometem o acesso da população a informações de interesse público.

Já a Associação Brasileira de Imprensa classificou o episódio como uma agressão grave contra o jornalismo e a democracia. “Quando o poder econômico se sente no direito de encomendar atentados contra quem exerce a função crítica de informar, a própria democracia está sob ameaça”, declarou a entidade, que também manifestou apoio às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Judiciário.

A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras avaliou que o episódio evidencia comportamentos típicos de intimidação contra o jornalismo investigativo. Para a entidade, a resposta das autoridades precisa ser exemplar para esclarecer o alcance do plano e responsabilizar todos os envolvidos.

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