Investigação aponta que suspeito atuava na gestão do dinheiro das fraudes ligadas ao grupo do “Careca do INSS”

A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (11) Alexandre Moreira da Silva, apontado como integrante do núcleo financeiro do esquema investigado na Operação Sem Desconto, que apura o desvio de aproximadamente R$ 6,3 bilhões do Instituto Nacional do Seguro Social. Considerado um dos últimos foragidos da investigação, ele é ligado ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes.
<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp>
De acordo com os investigadores, Alexandre Moreira da Silva atuava como operador financeiro do grupo, responsável por movimentar e administrar valores provenientes das fraudes. A prisão ocorreu após o que a Polícia Federal classificou como um “minucioso trabalho de investigação e levantamentos” que permitiu localizar o suspeito.
Após ser detido, ele foi levado para uma unidade da Polícia Federal em São Paulo, onde foram realizados os procedimentos de praxe. O investigado permanece à disposição da Justiça.
Esquema bilionário contra aposentados
A Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025 pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União. As investigações apontam para um esquema de descontos associativos não autorizados aplicados em aposentadorias e pensões.
Segundo estimativas das autoridades, entidades investigadas teriam retirado cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários do INSS entre 2019 e 2024 por meio de cobranças indevidas em contracheques de aposentados e pensionistas.
Apontado como um dos principais articuladores do esquema, Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, foi preso em setembro do ano passado. De acordo com a Polícia Federal, o empresário seria sócio de 22 empresas em diferentes áreas, incluindo consultoria, call center, construção e incorporação imobiliária.
Investigadores identificaram que algumas dessas empresas possuíam o mesmo endereço e telefone em Brasília, o que levantou suspeitas de que seriam usadas para intermediar negociações e movimentar recursos provenientes das fraudes. Entre elas aparece a Prospect Consultoria Empresarial, mencionada no inquérito como parte da estrutura investigada.
Dados reunidos pela Polícia Federal indicam que pessoas físicas e jurídicas ligadas ao empresário receberam R$ 48,1 milhões diretamente de associações suspeitas de aplicar golpes em aposentados, além de outros R$ 5,4 milhões provenientes de empresas relacionadas a essas entidades. O montante total identificado até o momento chega a R$ 53,5 milhões.
Ainda segundo o inquérito, cerca de R$ 9,3 milhões teriam sido repassados a servidores do INSS suspeitos de participação no esquema, descrito pelos investigadores como pagamento de vantagens indevidas a funcionários públicos envolvidos nas irregularidades.
As fraudes também passaram a ser analisadas no Congresso Nacional por meio de uma comissão parlamentar destinada a investigar irregularidades no sistema previdenciário e possíveis falhas de controle sobre descontos aplicados em benefícios de aposentados.




