Presidente dos EUA pressiona China a aderir a esforço internacional para garantir segurança de rota estratégica do petróleo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (15) que poderá adiar a cúpula planejada com o líder chinês, Xi Jinping, diante das tensões internacionais provocadas pela crise no Estreito de Ormuz.
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Segundo Trump, Washington deseja conhecer previamente a posição de Pequim sobre a participação chinesa em uma iniciativa internacional voltada a garantir a segurança da rota marítima. O encontro entre os dois líderes estava previsto para ocorrer ainda neste mês em Pequim.
“Acho que a China também deveria ajudar, porque 90% do seu petróleo vem do estreito”, disse Trump ao Financial Times. “Gostaríamos de saber antes disso. Duas semanas é muito tempo”, acrescentou. Em seguida, mencionou a possibilidade de mudança na agenda diplomática: “Podemos adiar”.
Disputa geopolítica pelo petróleo
As declarações ocorrem após os Estados Unidos iniciarem articulações diplomáticas para formar uma coalizão internacional destinada a garantir a navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais passagens do comércio global de petróleo. Estima-se que cerca de 20% da oferta mundial da commodity atravesse a hidrovia.
Entre os países citados por Donald Trump como potenciais participantes da iniciativa estão China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido. A mobilização ocorre em meio ao aumento das tensões no Golfo após confrontos envolvendo o Irã.
Falando a jornalistas a bordo do Air Force One, Trump afirmou que ainda não está claro se Pequim aceitará participar das ações voltadas à segurança da rota marítima.
“Não posso afirmar com certeza, mas a China é um caso interessante”, disse.
Segundo o presidente americano, a forte dependência chinesa do petróleo transportado pela região torna o país um ator central na crise. “Então eu disse: ‘Gostariam de participar?’ e vamos descobrir”, afirmou.
Ormuz e a posição do Irã
A pressão de Washington ocorre apesar de o Estreito de Ormuz não estar completamente fechado para todos os países. O governo do Irã tem indicado que a passagem continua aberta para nações consideradas neutras ou parceiras estratégicas, entre elas a China.
Ao mesmo tempo, autoridades iranianas têm ameaçado restringir ou dificultar a navegação de embarcações associadas a países considerados adversários, como os Estados Unidos e Israel.
Esse cenário ajuda a explicar a cautela de China diante da iniciativa liderada por Washington. Embora dependa fortemente da rota marítima para seu abastecimento energético, Pequim mantém relações estratégicas com Teerã e costuma evitar participação direta em operações militares coordenadas pelos Estados Unidos.
Diplomacia paralela
As declarações de Donald Trump ocorrem enquanto representantes dos dois países mantêm contatos diplomáticos para preparar a possível reunião entre os líderes.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reuniu-se recentemente em Paris com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng para discutir temas da relação bilateral e os preparativos da cúpula prevista em Pequim.
Apesar dessas conversas, Trump indicou que a decisão chinesa sobre a crise no Estreito de Ormuz poderá influenciar diretamente o futuro do encontro com Xi Jinping.
“Talvez participem, talvez não. Sabe, existem outras razões mais profundas pelas quais talvez não participem”, afirmou o presidente norte-americano.




