Operação envolve 19 mil postos e ocorre em meio à alta do diesel e pressão por greve de caminhoneiros

A Polícia Federal do Brasil instaurou nesta terça-feira (17) um inquérito para apurar possíveis práticas abusivas na formação de preços de combustíveis em todo o país. A investigação, que envolve dados de cerca de 19 mil postos, ocorre após indícios de aumentos considerados incompatíveis com os custos do setor, identificados pela Agência Nacional do Petróleo e pela Secretaria Nacional do Consumidor.
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A apuração busca identificar crimes contra a ordem econômica, como formação de cartel e elevação arbitrária de preços, com penas que podem chegar a 10 anos de prisão. A ação ocorre de forma coordenada com uma operação nacional de fiscalização conduzida pela ANP em nove estados e no Distrito Federal.
Fiscalização amplia cerco ao setor
Durante a ofensiva, fiscais vistoriaram postos em 22 cidades e lavraram autos de infração, além de exigir a apresentação de notas fiscais de compra de combustíveis. Caso irregularidades sejam confirmadas, as multas podem variar de R$ 50 mil a R$ 500 milhões. Também foram verificados critérios como qualidade do combustível e volume efetivamente entregue ao consumidor.
Relatórios preliminares apontam situações suspeitas, como reajustes superiores a R$ 2 por litro de diesel em postos que ainda operavam com estoques antigos, sem justificativa de custo. Esse tipo de prática é considerado um dos principais focos da investigação.
Pressão internacional e impacto político
A alta dos combustíveis ocorre em um cenário de tensão global envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que pressiona o preço do petróleo e impacta diretamente o diesel no Brasil. Antes de medidas do governo, o combustível já acumulava alta de 11,8%, chegando próximo de R$ 6,80 por litro.
Diante da escalada, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a zeragem de PIS/Cofins sobre o diesel e uma subvenção para produtores e importadores, com potencial de reduzir o preço em até R$ 0,64 por litro. Também houve intensificação da fiscalização e articulação com estados para redução do ICMS, sem adesão até o momento.
Nos bastidores, o avanço das investigações pode ampliar a pressão sobre distribuidoras e redes de postos, além de ter reflexos políticos. A apuração pode ser utilizada como instrumento de disputa entre governo federal, setor empresarial e estados, especialmente diante do impacto direto do diesel sobre a inflação e o custo de vida.
O cenário já provoca reação no transporte de cargas, com caminhoneiros discutindo uma possível paralisação nacional. A combinação entre preços elevados, suspeitas de irregularidades e medidas governamentais ainda incertas mantém o ambiente de instabilidade, com potencial de afetar toda a cadeia econômica nos próximos dias.




