Ação em três estados bloqueia R$ 70 milhões e mira liderança do tráfico com base na região de Campinas

Uma força-tarefa da Polícia Federal do Brasil e da Polícia Militar do Estado de São Paulo deflagrou na manhã desta quarta-feira (18) a Operação Dry Fall, com cumprimento de 35 mandados de busca e apreensão e 37 de prisão temporária em três estados. Até as 9h, 24 pessoas haviam sido presas, sendo cinco já detidas em presídios. A ofensiva foi coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Campinas, com foco em uma organização criminosa ligada a facção de atuação nacional.
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Na região de Campinas, foram cumpridos 12 mandados de prisão temporária. Quatro suspeitos foram presos em flagrante com haxixe de alto teor de THC, incluindo um investigado que utilizava um carro-cofre com sistema avançado de abertura para transporte da droga.
O apontado líder do grupo, conhecido como “Piti”, foi capturado em Mogi Mirim. Segundo as investigações, ele atuava como intermediador do tráfico, com conexões no Rio de Janeiro e rota de fornecimento a partir do Paraguai. O produto, conhecido como “dry”, pode atingir até R$ 50 mil por quilo no mercado ilegal.
Logística interestadual e lavagem de dinheiro
De acordo com a investigação, o grupo operava uma estrutura sofisticada de distribuição de haxixe com alto teor de THC e mantinha um braço paralelo de tráfico de armas. A logística envolvia diferentes estados e uso de empresas de fachada para ocultação de recursos ilícitos.
A Justiça determinou o bloqueio de cerca de 150 contas bancárias, com valores que podem chegar a R$ 70 milhões, além da suspensão das atividades de 20 empresas suspeitas de integrar o esquema de lavagem de dinheiro.
Capilaridade da operação
A ofensiva teve desdobramentos em diversas cidades do interior e da Grande São Paulo, como Araras, Rio Claro, Americana, Limeira, Sumaré e Hortolândia, além da capital paulista e municípios do ABC.
Fora de São Paulo, houve ações em Minas Gerais, com mandados em João Monlevade; no Paraná, com operações em Londrina e Foz do Iguaçu; e no Rio de Janeiro, onde foram cumpridos dez mandados de prisão.
As investigações tiveram início após uma prisão realizada pela Polícia Militar em Araras e evoluíram para um mapeamento mais amplo da organização criminosa. Segundo o comando do policiamento do interior, a atuação integrada foi essencial para desarticular a rede interestadual.
A Operação Dry Fall é considerada a primeira grande ação da força integrada em Campinas e tem como objetivo enfraquecer a estrutura financeira e logística do grupo, além de aprofundar a coleta de provas sobre a atuação da facção no país.




