Presidente Lula decide enviar nome de Jorge Messias ao STF, mas enfrenta cenário dividido e pressão política liderada por Davi Alcolumbre

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu encaminhar ao Senado, ainda nesta semana, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A movimentação ocorre quatro meses após o anúncio do nome e em meio a articulações políticas intensas para garantir apoio à aprovação.
<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp
Antes do envio formal da mensagem, Lula pretende conversar novamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre [União-AP], que já sinalizou resistência ao timing da indicação. Segundo relatos de bastidores, Alcolumbre defende que a sabatina ocorra apenas após o período eleitoral, estratégia interpretada por aliados do governo como tentativa de ampliar poder de negociação política.
A indicação de Messias, anunciada ainda em 2025 após a abertura da vaga com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, já enfrenta divisão no Senado desde o início. O nome precisa ser aprovado pela Casa após sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, etapa que foi adiada anteriormente por falta do envio formal da mensagem presidencial .
Nos bastidores do governo, a avaliação é que o ambiente político melhorou em relação ao fim do ano passado, quando havia risco concreto de rejeição. Interlocutores apontam que ministros do próprio Supremo passaram a atuar informalmente em defesa de Messias, incluindo nomes indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, como André Mendonça e Kassio Nunes Marques.
Apesar disso, aliados de Alcolumbre afirmam que a resistência cresceu dentro do Senado, especialmente com o avanço de investigações envolvendo o chamado caso Banco Master. O tema passou a influenciar diretamente o ambiente político e deve impactar CPIs e votações relevantes no Congresso em 2026 .
A trajetória de Messias também é alvo de leitura política. Procurador da Fazenda Nacional desde 2007, ele ganhou projeção nacional durante o governo Dilma Rousseff, quando atuou na Casa Civil e ficou conhecido pelo episódio apelidado de “Bessias”, durante a divulgação de áudios da operação Lava Jato. Nos últimos anos, consolidou-se como principal assessor jurídico de Lula e figura de confiança no núcleo do governo.
A escolha é interpretada por analistas como estratégica. Além da proximidade pessoal com o presidente, Messias é visto como nome alinhado ao projeto político do Planalto e capaz de garantir interlocução direta entre Executivo e Judiciário. Ao mesmo tempo, críticos apontam que essa proximidade levanta questionamentos sobre independência e reforça a politização das indicações ao Supremo.
Levantamentos recentes mostram que a indicação divide opinião pública e política, com índices relevantes de rejeição e apoio fragmentado . No Congresso, o cenário segue indefinido, e líderes admitem que a aprovação dependerá de negociação direta do próprio presidente.
No pano de fundo, a disputa em torno da vaga no STF extrapola o campo jurídico e se insere em um jogo mais amplo de poder. A indicação ocorre em um momento de tensão entre Executivo, Legislativo e Judiciário, com sinais de que o processo pode ser utilizado como instrumento de pressão política por diferentes grupos. Para aliados do governo, a antecipação do envio busca evitar desgaste prolongado; para opositores e setores do centrão, o tema se tornou mais uma peça de barganha no tabuleiro de 2026.




