Defesa de Vini Oliveira diz que vídeos foram manipulados e pede arquivamento de processo de cassação

0
76

Parecer do perito Ricardo Molina, que atuou no caso da morte de PC Farias, sustenta que gravações não seriam originais nem autênticas; CP da Câmara decide nesta quinta-feira se investigação prossegue

<OUÇA A REPORTAGEM>

<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp>

A defesa do vereador Vini Oliveira protocolou na Câmara Municipal de Campinas um parecer técnico que contesta a autenticidade dos vídeos utilizados como base para o pedido de cassação de seu mandato. O documento, apresentado nesta terça-feira (30), afirma que as imagens teriam sido editadas e manipuladas e sustenta que os envelopes recebidos pelo parlamentar durante reunião com representantes da empresa Smile Turismo continham apenas documentos relacionados ao transporte coletivo.

O parecer é assinado pelo perito criminal Ricardo Molina, um dos profissionais mais conhecidos do país em perícia forense e responsável pela perícia oficial no caso da morte de PC Farias, ex-tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor, um dos episódios de maior repercussão da história política brasileira. Segundo a defesa, a análise técnica concluiu que os vídeos apresentados na denúncia não são arquivos originais e apresentam cortes, efeitos artificiais e aplicação de máscaras de desfoque, fatores que, de acordo com os advogados, comprometem sua autenticidade e eventual utilização como prova.

Na manifestação encaminhada à Comissão Processante, os advogados afirmam que as gravações não mostram a entrega de dinheiro e reiteram que Vini Oliveira autorizou a quebra de seus sigilos bancário e fiscal para demonstrar que não recebeu qualquer vantagem indevida. A defesa sustenta ainda que o vereador sempre colaborou com as investigações e defende o arquivamento da denúncia por ausência de elementos suficientes.

A Comissão Processante é composta pelos vereadores Paulo Haddad (PSD), presidente; Otto Alejandro (PL), relator; e Dr. Yanko (PP). O colegiado tem prazo de cinco dias para analisar a defesa preliminar e decidir se o processo seguirá para a fase de instrução ou será arquivado. A reunião está prevista para esta quinta-feira (2).

Em entrevista à CBN Campinas, o presidente da comissão, Paulo Haddad, afirmou que a análise será exclusivamente técnica. “Nosso papel é analisar tecnicamente a defesa e verificar se há elementos mínimos para dar continuidade. Não cabe juízo antecipado, mas sim respeito ao rito legal”, declarou.

Haddad explicou que, caso a comissão conclua pela inexistência de justa causa, o arquivamento ainda dependerá da aprovação do plenário da Câmara. Por outro lado, se os vereadores entenderem que existem indícios suficientes, o processo seguirá automaticamente para a fase de instrução, com produção de provas, oitivas de testemunhas e coleta de depoimentos.

O processo de cassação foi instaurado após a divulgação de vídeos que mostram Vini Oliveira recebendo envelopes durante uma reunião realizada na sede da Smile Turismo, empresa integrante do consórcio vencedor da licitação do transporte coletivo de Campinas. O conteúdo dos envelopes nunca foi oficialmente confirmado pelas autoridades. A abertura da Comissão Processante foi aprovada por unanimidade pelos vereadores.

Paralelamente, a Corregedoria da Câmara também conduz procedimento para apurar eventual quebra de decoro parlamentar. O caso ainda é investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, que cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao vereador e a empresas citadas nas investigações.

Em resposta à reportagem, o Ministério Público e a Polícia Civil informaram apenas que as investigações seguem sob sigilo e, por esse motivo, não divulgarão detalhes sobre o andamento do caso.

Vini Oliveira nega qualquer irregularidade e afirma que recebeu exclusivamente documentos relacionados ao sistema de transporte público. O vereador também declarou publicamente ser favorável à quebra de seus sigilos bancário e fiscal para comprovar a inexistência de pagamentos ilícitos.

A Comissão Processante tem prazo de até 90 dias, contados a partir de 17 de junho, para concluir os trabalhos. Caso a investigação seja mantida, o relatório final, recomendando o arquivamento ou a cassação do mandato, deverá ser votado pelo plenário da Câmara de Campinas até 15 de setembro de 2026.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui