Levantamento do PoderData mostra que 52% dos eleitores defendem maior aproximação econômica com a China, enquanto 35% preferem fortalecer os laços comerciais com os Estados Unidos
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A maioria dos brasileiros considera que o país deve ampliar suas relações comerciais com a China em vez de priorizar os Estados Unidos. É o que mostra pesquisa PoderData divulgada nesta sexta-feira (24). Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados afirmaram que o governo brasileiro deveria fortalecer os vínculos econômicos com Pequim, enquanto 35% defendem maior aproximação comercial com Washington. Outros 13% não souberam responder ou preferiram não opinar.
A pesquisa ouviu 2.500 eleitores com 16 anos ou mais, em todas as regiões do país, entre os dias 18 e 20 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Tarifaço
O levantamento foi realizado em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Nesta semana, entrou em vigor uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano, resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio.
O governo norte-americano sustenta que determinadas políticas brasileiras criam barreiras comerciais e afetam a competitividade das empresas dos Estados Unidos. Entre os pontos citados estão regras relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, tarifas preferenciais, combate à corrupção, etanol e fiscalização ambiental.
Durante o processo de investigação, representantes brasileiros participaram de audiências públicas e contestaram os argumentos apresentados pelos Estados Unidos. Integrantes do governo afirmaram que as exigências norte-americanas seriam prejudiciais à indústria e ao agronegócio brasileiros e classificaram as negociações como desfavoráveis ao país.
Em resposta às medidas adotadas por Washington, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou que recorrerá aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e também pretende levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Após o encerramento da coleta de dados da pesquisa, os Estados Unidos anunciaram ainda uma nova tarifa adicional de 12,5% sobre produtos de países que, segundo o USTR, não adotam mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O Brasil foi incluído nesse grupo, e a nova alíquota poderá ser cumulativa com a tarifa de 25% para determinados produtos, elevando a tributação para até 37,5% em parte das exportações brasileiras.




