Após denúncias de irregularidades feitas pelo vereador Artur Orsi (PSDB), em representação ao Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE) rejeitou, em decisão publicada no dia 15 de janeiro, as contas da Sanasa referentes ao ano de 2007. Entre os motivos da rejeição estão as doações de R$3 milhões para entidades religiosas e do terceiro setor, pagamento de salários a diretores acima do teto previsto em lei e o não encaminhamento ao tribunal de informações sobre processos licitatórios. O TCE aplicou multa de R$ 3,4 mil para o ex-presidente da Sanasa, Luiz Castrillon de Aquino.
Em relatório assinado pelo conselheiro Renato Martins Costa, o TCE alega que a empresa, que tinha um patrimônio líquido de R$310 milhões em 2007, contraiu empréstimos de R$84 milhões e financiamentos de R$122 milhões. Apesar disso, a empresa gastou R$3 milhões em patrocínios para eventos culturais, educacionais e religiosos.
Entre as doações irregulares estão R$50 mil para a Igreja Batista Ministério Ebenezer realizar festividade gospel, mesmo sendo inconstitucional a aplicação de auxílios ou subvenções direta ou indiretamente, por parte de órgãos públicos, na manutenção de culto religioso.
O Projeto Sinfonia Ecológica, da Orquestra Sinfônica de Campinas, recebeu 400 mil. Segundo o relatório, a comunidade campineira sofreu prejuízos, uma vez que tiveram apresentações em outras cidades e em Cuba, além da Orquestra ser composta por artistas de diversos estados. Além disso, ainda segundo o relatório, as doações não possuem processo que lhes dê sustentação, com anotações a respeito da aplicação dos recursos, bem como as finalidades declinadas não estão de acordo com a vocação da Sanasa.
A empresa também doou 10 mil para o bloco carnavalesco Unidos de Sousas. Naquele ano, o bloco não estava filiado à Liga das escolas de samba e blocos carnavalescos de Campinas e ainda recebeu da secretaria de Cultura, Esporte e Lazer três banheiros químicos, aparelhagem de som do palco e materiais de divulgação para a sua apresentação durante o carnaval. No ano de 2008, o bloco Unidos de Sousas desfilou pela última vez.
A Sanasa, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que o departamento jurídico da empresa entrou com recurso em fevereiro e aguarda nova decisão do Tribunal de Contas.
O vereador Artur Orsi explicou que a empresa teve despesas irregulares e doações ilegais, como a verba destinada para a ida de autoridades a Cuba, na apresentação da Orquestra Sinfônica de Campinas: “O Tribunal vai julgar a representação inteira e dependendo do que for concluído, a Sanasa pode ser obrigada a ressarcir os cofres públicos”.





