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Saúde promove ação contra leishmaniose visceral no Colinas do Ermitage

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A Secretaria Municipal de Saúde inicia nesta quinta-feira, dia 1º de setembro, a partir das 9h, mais uma ação contra a leishmaniose visceral (LV) em um bairro entre Sousas e Joaquim Egídio, na região Leste da cidade. No local, existe um foco da doença em cães. O primeiro caso foi registrado no final de 2009 e, desde então, houve confirmação de 15 cães soropositivos. Este é o primeiro e único foco autóctone de LV canina registrado em Campinas.

A atividade inclui aplicação de microchips nos cães, coleta de amostras de sangue para inquérito sorológico dos animais e colocação de coleiras repelentes. Além disso, serão promovidas atividades de informação, comunicação e mobilização social.

Este trabalho, que foi informado antecipadamente aos moradores, compõe a série de ações de prevenção e controle desencadeadas na comunidade desde que o foco foi registrado. O objetivo é interromper a transmissão da doença e evitar a ocorrência de casos humanos. As medidas incluem, ainda, intervenções no meio ambiente e controle do mosquito transmissor ou vetor.

As novidades nesta etapa são a aplicação dos microchips, que servirão para identificação permanente e controle da mobilidade, no caso do animal ser transferido para outro endereço; e o encoleiramento dos animais com uma coleira contendo inseticida e repelente, para matar e repelir insetos entre os quais o mosquito transmissor da LV.

O microchip é do tamanho aproximado de um grão de arroz e é constituído de material que não causa nenhum dano ao animal. Possui um código que é identificado por um aparelho de leitura eletrônica compatível.

Para a ação que começa nesta quinta-feira, 1º de setembro, serão mobilizadas nove equipes, cada uma com um médico veterinário e três auxiliares. Os profissionais vão de casa em casa para oferecer os produtos e serviços – todos gratuitos, pelo Sistema Único de Saúde – e, com o consentimento dos proprietários, fazer a microchipagem e o encoleiramento. Também anotam as informações sobre o animal e orientam os proprietários.

O inquérito sorológico, realizado a cada seis meses, aponta a prevalência da doença, ou seja: mostra qual a porcentagem de cães infectados e se a doença tem avançado. As atividades de informação, comunicação e mobilização social buscam conscientizar a comunidade e sensibilizar sobre a importância da adesão de todos às ações de prevenção.

A ação é coordenada pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), em parceria com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Conta com apoio dos Centros de Saúde de Sousas e de Joaquim Egídio e das Vigilâncias em Saúde e Distritos de Saúde e com o protagonismo de todos os médicos veterinários da Secretaria de Saúde.

A coordenação do Programa de Prevenção e Controle da LV em Campinas é feita pela médica veterinária Andrea von Zuben, da Covisa. As investigações e acompanhamento deste primeiro foco em Campinas contam com a parceria da Secretaria de Estado da Saúde, por meio da Superintendência do Controle de Endemias (Sucen), Instituto Adolfo Lutz e Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE).

Segundo o médico veterinário Douglas Presotto, coordenador do CCZ de Campinas, embora o foco esteja sob controle e não tenha extrapolado os limites do condomínio, ainda não há evidências de que tenha sido contido.

Ainda de acordo com Douglas, a distribuição das coleiras está programada para ocorrer ao longo dos próximos dois anos, sendo que a troca delas é feita a cada quatro meses. O uso deve ser contínuo e não é necessário tirar para que o animal tome banho. Se houver perda ou dano, o proprietário deve entrar em contato com o CCZ para que a coleira seja reposta.

O uso da coleira é uma medida que, embora não esteja prevista nos Programas Nacional e Estadual da Leishmaniose Visceral, está confirmada como eficaz na prevenção e controle da doença entre os cães. Esperamos, no próximo inquérito sorológico, comparar a prevalência da doença e saber o impacto do encoleiramento”, afirma.

Em Campinas, o uso da coleira está sendo adotado, neste momento, somente nesta comunidade porque é onde foi registrado o primeiro e único foco. Não há registros de surtos em outros locais no município.

A estimativa é que o condomínio tenha, atualmente, 230 cães. Os trabalhos começam amanhã e estão previstos para durar três dias, se não chover.

Sobre a doença

A LV é uma zoonose que pode afetar o homem, transformando-se em antropozoonose. É transmitida pelo mosquito Lutzomyia longipalpis também conhecido como ‘mosquito palha’ ou ‘birigui’. O mosquito pica o animal infectado e, ao picar o homem, transmite a doença. Acomete vísceras, como o fígado e o baço, podendo ocasionar aumento de volume abdominal. Pode levar o homem à morte, se não tratada. No Brasil, são registrados mais de 200 óbitos em humanos por ano. Aproximadamente 58% dos casos são em crianças e os homens são mais afetados, com 61% das ocorrências. A letalidade é de 6,3%.

Esta doença é considerada um grave problema de saúde pública. Segundo Paulo Sabroza, epidemiologista da Fiocruz, no Brasil, o quadro da LV só não é mais sério, em termos de risco potencial de epidemias em centros urbanos, que o da dengue. É de notificação compulsória, o que significa que as ocorrências têm que ser informadas às autoridades sanitárias rapidamente.

Segundo o médico infectologista Rodrigo Angerami, da Covisa de Campinas, na grande maioria dos municípios brasileiros nos quais a doença se tornou endêmica, a ocorrência de cães infectados geralmente precedeu a ocorrência de casos humanos. “Os cães infectados, sem a menor dúvida, se constituem um elemento fundamental na cadeia de transmissão. Por esse motivo, este primeiro foco autóctone em Campinas merece atenção especial”, diz. Entretanto, a identificação do cão infectado não implica, necessariamente, no início da transmissão entre humanos.

A leishmaniose visceral tem tratamento em humanos. No entanto, no cão, o tratamento não está indicado porque representa risco para a saúde pública. A proibição do tratamento canino está indicada na Portaria IM nº 1.426 (2008) que regulamenta o Decreto nº 51.838 (1963), dos Ministérios da Saúde e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

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