Pressionado pela forte voz das ruas, o prefeito Jonas Donizette recuou por duas vezes em relação ao preço da tarifa do transporte coletivo na cidade. No primeiro deles, quando as vozes apenas começavam a ecoar, reduziu a tarifa – a mais cara do Brasil – de R$ 3,30 para R$ 3,20, valor que começaria a vigorar em 1º de julho. Na segunda, quando por força das vozes já provocava estrondo, a tarifa voltou aos mesmo R$ 3,00 de sete meses atrás.
A simples redução, porém, está longe de satisfazer, em boa parte, os milhares de moradores dos distritos de Sousas e de Joaquim Egídio que utilizam do chamado transporte público, mas operado com empresários do setor privado. Eles querem mais. E para confirmar isso batam alguns minutos de conversa – com quem chega a esperar um ônibus por até 45 minutos, ou mais – nos sempre lotados pontos de ônibus dos distritos, depois de um dia cansativo de trabalho ou para iniciá-lo. Sem contar quem tem compromisso com horário marcado e, para não perdê-lo – se antecipa ate uma hora.
“Não é possível que precisemos levar até uma hora e meia para percorrer os pouco mais de 15 quilômetros até o Centro da cidade. E o que é pior, muitas vezes em ônibus em péssimas condições de manutenção”, diz a aposentada Maria das Graças Santos, enquanto esperava o ônibus em um ponto a Avenida Izabelita Vieira, em Sousas, no início da tarde da segunda-feira, dia 23 de junho.
Além da falta de pontualidade – e de organização na liberação dos veículos, já que muitas vezes passam todos de uma vez, ficando depois um longo período sem a chegada de outro – a precariedade da frota é outro ponto de descontentamento dos usuários. “Sempre tem ônibus quebrado; com marcha que não entra, que nem sequer consegue subir direito a (avenida) Moraes Sales logo depois do Laurão (Viaduto São Paulo). Um horror”, conta a auxiliar Administrativa Cecília Pereira do Santos.
A falta de paciência dos motoristas que muitas vezes, segundo os usuários dirigem falando ao celular, é apontada também como exemplo do péssimo serviço prestado. “Sobre o preço nem sei o que dizer, porque tenho mais de 70 anos e não pago. Mas sobre o tratamento dado ao passageiro, digo que é muito ruim”, conta a aposentada Augusto Soares dos Santos que, por conta da idade não tem rapidez para subir ou descer do coletivo. “Dia destes o motorista acelerou e quase saiu enquanto eu descia. Foi por pouco que não cai”, diz.
Usuária do transporte coletivo, em especial para levar o marido doente às consultas médicas, Maria Nicéia Maciel, acredita que as condições do transporte em Sousas demonstram o descaso das empresas – e também das autoridades municipais – em relação à população. “Tem de mudar tudo: o preço ainda é alto, a pontualidade é uma tristeza de ruim e a frota, de péssima manutenção”, resume.
Em resposta aos problemas apontados pela população, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) informa que, em relação às linhas 3.90 – Joaquim Egídio; 3.91 – Nova Sousas (Inclusivo),3.92 – San Conrado e 3.93 – Cabras / Sousas / Estrada de Sousas – já foram feitas, desde o início do ano, 80 autuações por diversos problemas, como atraso, falta de veículos no horário, corte de itinerário, excesso de velocidade, maus tratos, estado de conservação, campainha quebrada e até limpeza dos ônibus, entre outras. Todas geraram punição financeira à empresa Pádova, responsável pelas linhas.
A EMDEC orienta ainda aos usuários que toda reclamação ou denúncia dos usuários devem ser realizadas pelos 156 ou 3772-1517 e também pelo Fale Conosco no site da Emdec (www.emdec.com.br). Por estes meios, gera-se um protocolo pelo qual o usuário pode acompanhar o andamento do processo de sua queixa. Disparará uma fiscalização e, após, uma resposta ao solicitante.
O Jornal Local procurou, no dia 27 de junho, a empresa Pádova, responsável pela operação das linhas de transporte coletivo nos dois distritos . Mas até o fechamento da edição a Transurc, que intermediaria as informações não havia ainda respondido aos reclamos da população que se utiliza das linhas.





