Projeto de autoria do vereador Zé Carlos (PDT) que começa a tramitar na
Câmara de Vereadores de Campinas, poderá colocar um fim no chamado
“trote violento”. O projeto obriga as faculdades e universidades
instaladas na cidade a incluírem nos contratos celebrados com os alunos,
uma cláusula em que fica proibida realização de trote violento nos
tradicionais eventos de recepção aos calouros, dentro ou fora das
dependências da escola.
A proposta do vereador surge como uma reação a episódios de agressão e
violência perpetradas por estudantes em escolas públicas e privadas em
vários estados do País – um deles, em Campinas, quando um mendigo foi
ferido por estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Para o vereador não há justificativa para esse tipo de comportamento.
“Você pode imaginar uma dona de casa, que com muito sacrifício colocou
seu filho numa universidade e depois do primeiro dia de aula – num
momento que tinha tudo para ser apenas de alegria – ele volta para casa
queimado, machucado, intoxicado, agredido. A nossa obrigação é fazer uma
lei a respeito disso”, argumentou Zé Carlos.
O vereador garante que o projeto não é inconstitucional, apesar de
interferir diretamente nas relações de prestação de serviços entre
particulares. “Não (é inconstitucional), porque hoje existe uma
preocupação até no Congresso Nacional no sentido de fazer uma lei que
proíba o trote violento em todas as universidades do País. Não só na
pública como também na privada. Nós apenas estamos cumprindo a nossa
obrigação”, afirmou.
A ideia é fazer constar no contrato entre o aluno e a escola um item a
respeito do assunto, reservando o direito da instituição de romper o
acordo em caso de descumprimento. “Eu acho quer essa é uma maneira de a
gente contribuir com o aluno e com a família do aluno. E acredito também
que este seja o anseio de toda a comunidade acadêmica”, finalizou o
vereador.
CASOS – No dia quatro de janeiro deste ano, o andarilho Irenaldo Onofre
Salvador Junior foi agredido com socos e pontapés por estudantes em
Campinas, como parte de um trote aplicado por veteranos do Mackenzie.
Além das agressões, Irenaldo teve parte do cabelo cortado e as
sobrancelhas raspadas. A agressão aconteceu numa praça ao lado do
campus, no Jardim Guanabara. Um dos estudantes será processado por
agressão.
No dia 11 de fevereiro deste ano, duas universitárias foram queimadas
por produtos químicos despejados em seus corpos durante o trote de
recepção aos calouros na Fundação Educacional de Santa Fé do Sul, no
interior de São Paulo. Uma delas – aluna do curso de análise de sistemas
e que estava grávida de três meses – sofreu queimaduras de primeiro grau
nas duas coxas, nádegas, costas e cotovelo.
Episódio semelhante ocorreu no Paraná, quando cerca de 20 calouros do
curso de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina foram pisoteados
por veteranos.




