Assim como,
outrora tão longe!,
antepassados penduravam ao pescoço
ossos ou dentes — como colar.
Também eu levo
ao coração penduradas
certas Tardes de Maio.
A palavra “maio” soa bem. Abençoa o outono: despede o excesso do calor, o branco da primavera re-desenha a linha de algum muro e as últimas chuvas exageram o verde sobre o contorno azul “muito céu”. BemAventurada luz tardeja a meia estação.
Maio ainda é o mês das Noivas?. Ou não?, mês das noivas teria que ser próximo ao 13 salário, pelos custos!. Um dia destes, passando à porta da igreja, vi um casamento; me chamou a atenção que o celebrante era não um sacerdote mas sim três leigos exerciam o sacerdócio: os noivos e um senhor (presbítero, diácono, acólito… a denominação me esqueço). Gostei de ver, a participação realça o exercício do sacerdócio. Também me chamou a atenção que a cerimônia mais parecia um espetáculo; isto é, havia muitos holofotes, muitos flashes, várias pessoas pra filmar e fotografar, outras pessoas (de uniforme) manobravam os participantes pra encenar alguns movimentos; o excesso de luz e foto parece sugerir que aquele acontecimento é uma coreografia “pra ser vista, depois” e não é acontecimento pra ser curtido, durante. Não gostei disso, casamento não me parece um espetáculo “pra ser visto depois”, em vídeo, foto ou DVD.
Saí da igreja me lembrando da Cecília…
O vento é o mesmo
mas ele responde diferente em cada folha.
Só mesmo árvore seca
sempre igual permanece, entre pássaros e borboletas.
Me lembrei também de um casamento em 25 de Maio…
Prof. adriano salmar nogueira e taveira,
Jornalista, pesquisador Filosofia da ciência.




