Parece confirmar-se o que vem sendo muito falado:- na região de Sousas e Joaquim há mais de 20 pessoas candidatando-se para vereador. A História já nos mostrou que, havendo muitos candidatos, os votos se dispersam; os distritos vão eleger nenhum vereador residente-domiciliado. A aritmética é simples:- 8 mil votos divididos por mais de 20 dá…. dá mais ou menos 400 votos por candidato (sem descontar os votos que candidatos de fora virão buscar aqui). Parece que nenhum dos 20 pensa assim; cada um(uma) julga e crê que irá “emplacar”. Parece que o normal é cada um pensar em si e nos seus trunfos; parece que nenhum deles(as) pensa no coletivo, pensa nos distritos e não apenas na sua vitória pessoal. Quem sai perdendo?. A política perde. Esse quadro enfraquece à representação. Nas edições do JL de março e abril deste ano esse Observatório do BarCentral falou sobre a mudança de comportamento (do candidato) e a representação. Quem sai ganhando?. Os votos distritais elegem nenhum vereador daqui mas vão TODOS somar dividendos pro partido e pros caudilhos.
Essa é uma característica que comanda as candidaturas. Não é a pessoa (o candidato) que decide lançar-se e, buscando votos, oferece e discute uma proposta útil e representativa. A decisão é “de cima pra baixo”, isto é, a decisão QUEM e QUANTOS serão candidatos é dos caudilhos, os chefes de partido, deputados e prefeitos. O mandato (dos que forem eleitos) não pertence (nem representa) os eleitores; o mandato pertence aos partidos, pertence à coligação que “concede” a legenda. PORÉM O VOTO PERTENCE AO ELEITOR.
Houve recentemente uma campanha do T.R.E. tribunal regional eleitoral; a campanha na TV dizia que cada eleitor deve ter (e usar) memória – ou seja, votar e depois lembrar em quem votou, eleger e depois cobrar; não cobrar favores, nem pedir emprego pros políticos. Mas sim exigir empenho e compromisso deles com políticas boas. Afinal de contas o vereador é eleito não pra ser o dono do mandato… ele é eleito funcionário (do) público, deve representar aqueles que o elegeram. Representar em políticas boas é movimento, é “de baixo pra cima”.
Por falar em políticas boas… cito um conjunto de acontecimentos na Escola Ângela Cury Zakia, na Nova Sousas. Desde 2005 a escola sofreu transformações e ampliou a quantidade de estudantes. Houve uma lei federal que incluiu a idade de 6 anos no ensino fundamental e, além disso, houve uma proposta municipal pretendendo mudar (pra melhor) a educação; na gestão dr. Helio foi proposta a Educação por Ciclos. Sobre esta proposta veja-se, nessa coluna, as edições Dez/2006, depois em abril e setembro/2007; são reflexões que a escola produziu e endereçadas ao sr. Graciliano Oliveira Neto, secretário, estão disponíveis no site do Jornal. Aquela necessária ampliação requer, também, refazer o telhado (quando chove, goteira em algumas classes), fazer um banheiro adulto masculino (tem só feminino, pras Professoras), fazer rampas e acessos pros deficientes…
E O QUE SERIAM POLÍTICAS BOAS??
No sábado, dia 21/junho expusemos essa situação ao Prefeito, que veio fazer campanha:- inaugurou asfalto, reinaugurou Casa de Cultura e praça. Na segunda feira, 23 de Junho, fomos recebidos pela Coordenação da Secretaria e pela Coordenação de Arquitetura e Obras (os mesmos setores com quem conversamos, desde 2005). Fomos muito bem recebidos, atenciosamente. Na reunião nós, (Professores, Equipe gestora, Pais/Mães de Aluno e Funcionários) ouvimos a proposta de uma verba para obra parcial, a ampliação será imediata (em Julho); vai-se construir uma parede e dividir ao meio uma sala (da informática), vai-se abrir uma porta provisória e instalar um toldo (proteção da chuva na nova porta). Ouvimos que isso é provisório, e imediato. Para depois ficarão as providencias de TODAS as reformas necessárias… serão alguns meses para desenhar nova planta com as reformas… depois serão alguns meses mais para licitação das obras… e mais outros meses para realização das mesmas. Quando?. Em 2010?. Será ano de eleição!. A boa política acontece em ano de eleição??. Ou isso é apenas política provisória?.
Espero que o(a) Leitor(a) pense nisso. Sendo bom Leitor(a), seja também um (uma) bom (boa) Eleitor(a). Depende mais dos eleitores (do que dos políticos) uma boa política, aquela que representa os cidadãos.
Professor Adriano Salmar Nogueira e Taveira
Jornalista, pesquisador em Filosofia da ciência.
Política, Educação e Paciência
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