
Médico sanitarista e atuante no Centro de Saúde de Sousas, Tarcísio Rabello, afirmou, em entrevista ao Jornal Local, que o distrito já contabiliza 50 casos de dengue notificados neste início de ano. Preocupado com o avanço dos casos, o médico deu a receita para o distrito se livrar dos casos de Zika Vírus, Chikungunya e a dengue: campanhas que exterminem o Aedes aegypti.
“Ainda falta conscientização da população. Ela pode ser um agente protagonista no combate à dengue.Acabando com o mosquito não existirá mais as doenças por ele provocadas”, disse Dr. Tarcísio.
Ele sugere a criação de uma campanha distrital a fim de eliminar focos e criadouros. “Empresários, pastores, padres e professores podem agir como educadores e usar a influência de formadores de opinião que têm para conversar com funcionários, fieis e alunos, para alertar a um olhar além do que o de dentro da própria casa. O descuido principal é se atentar a cuidar não só da casa da gente. Tem que olhar no entorno, fiscalizar e denunciar o vizinho que estiver errado”, destacou.
Conforme o médico, os bairros com maior incidência da dengue em Sousas são o Jardim Conceição e a Cohab.
O alerta é importante, justificou Dr. Tarcísio, tendo em vista o prognóstico da Vigilância Epidemiológica de que 2016 deve ser o pior ano de epidemia em Campinas – em 2015, foram mais de 65 mil infectados pela dengue.
O especialista defende investimento maciço em campanhas de conscientização nas diferentes mídias e plataformas de comunicação. “Não há outro caminho. O trabalhador deve ser abastecido de informações com mídia escrita e falada ao chegar e sair de casa”.
“Precisa ter mais agentes de saúde também, que o quadro atual está longe do ideal. O mínimo preconizado pelo Ministério da Saúde é de quatro agentes por equipe. Em Sousas, temos cinco equipes. Precisa chegar mais”, sustenta.
O Centro de Saúde do distrito registrou em janeiro dois casos suspeitos de Zika. As vítimas residem na Vila Brandina.
“O problema maior do Zika é que entre 75% e 80% dos casos são assintomáticos, ou seja, a pessoa pode estar com o vírus e tê-lo transmitido sem ela mesma saber. Há registros de gente que contraiu Zika e não teve microcefalia, mas perdeu a audição, teve problemas no fígado e a calcificação do cérebro”, explicou. “Outra complicação do Zika são as doenças neurológicas, como a Síndrome de Guillain-barré, uma doença auto-imune que pode alterar a sensibilidade dos membros inferiores e levar à paralisia total do corpo”.




