André Janones se reúne com Cristina Kirchner e Sergio Massa em agenda política na Argentina

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Os encontros tiveram como pauta o compartilhamento de estratégias de comunicação digital utilizadas na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a mobilização de setores da oposição ao governo de Javier Milei. Foto Rede/MG

Deputado federal da Rede participa de encontros com lideranças da oposição argentina em Buenos Aires. Conversas abordaram comunicação digital, mobilização de militantes e estratégias de enfrentamento à desinformação.

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O deputado federal André Janones (Rede-MG) esteve em Buenos Aires nesta segunda-feira (2), onde se reuniu com o ex-ministro da Economia Sergio Massa e a ex-presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner. A agenda teve como um dos principais temas o intercâmbio de experiências sobre comunicação política nas redes sociais, mobilização de apoiadores e combate à desinformação, em meio à reorganização dos setores de oposição ao presidente Javier Milei.

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A viagem ocorre em um momento de articulação da oposição argentina, especialmente entre setores ligados ao peronismo, que buscam construir uma alternativa política para as próximas eleições presidenciais, previstas para 2027.

Segundo a assessoria de Janones, a viagem tem como objetivo “promover o intercâmbio de experiências, ampliar o diálogo entre lideranças políticas e fortalecer os valores democráticos e as relações entre Brasil e Argentina”.

A agenda ocorre a menos de um ano da disputa presidencial argentina de 2027, em um cenário no qual lideranças peronistas discutem a formação de uma frente política capaz de enfrentar Milei. A experiência brasileira de organização de apoiadores por WhatsApp e outras plataformas digitais passou a integrar as discussões sobre a estratégia eleitoral da oposição argentina. Folha de S.Paulo+2

Reunião com Sergio Massa discutiu mobilização eleitoral

O primeiro encontro ocorreu no bairro da Recoleta, onde Janones conversou por aproximadamente uma hora com Sergio Massa, candidato derrotado por Milei no segundo turno presidencial de 2023.

Na saída, o deputado brasileiro explicou o objetivo da aproximação: “A gente veio falar um pouco sobre o exemplo do presidente Lula. Tentar levar um pouco dessas técnicas”.

A estratégia discutida envolve a criação de redes de apoiadores, grupos de WhatsApp e canais de distribuição de conteúdo político. Um dos modelos citados é o chamado “Exército do Lula”, estrutura de mobilização digital utilizada durante as campanhas brasileiras.

Também participaram das articulações profissionais de comunicação que trabalharam na campanha de Lula, entre eles Rafael Marroquim e Chico Kertész. Folha de S.Paulo+1

Cristina Kirchner não descarta disputar a Presidência em 2027

O encontro com Cristina Kirchner ocorreu no apartamento da ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar em Buenos Aires após condenação a seis anos de prisão e inabilitação perpétua para ocupar cargos públicos, no processo conhecido como Causa Vialidad.

A reunião ganhou repercussão também pela entrevista concedida por Cristina ao jornal americano The Washington Post, publicada na mesma segunda-feira.

Questionada sobre a possibilidade de disputar novamente a Presidência argentina em 2027, ela respondeu: “Quando eu recuperar meus direitos políticos, por que não?”.

A declaração indica que a ex-presidente não descarta retornar à disputa eleitoral, embora sua eventual candidatura dependa da reversão da inabilitação determinada pela Justiça argentina.

Cristina continua sendo uma das principais referências do peronismo, movimento político que reúne diferentes correntes da centro-esquerda argentina. The Washington Post+2

Oposição ainda não definiu candidato

Além de Cristina e Massa, outro nome presente nas articulações é Axel Kicillof, governador da província de Buenos Aires. Os três aparecem nas discussões sobre a sucessão presidencial de 2027, mas ainda não existe uma definição de candidatura única.

A dificuldade de unificação ocorre em um momento de questionamentos sobre a administração Milei. Um compilado de 11 pesquisas citado pelo jornal argentino Clarín apontou que 57% dos entrevistados desaprovavam o governo e 57,2% tinham uma imagem negativa do presidente.

Os indicadores, entretanto, não significam automaticamente uma transferência de votos para a oposição. O peronismo ainda precisa definir como pretende organizar suas diferentes lideranças e apresentar uma alternativa eleitoral. Folha de S.Paulo+1

Comunicação digital entra na estratégia internacional

A viagem de Janones mostra como as experiências de comunicação eleitoral utilizadas no Brasil passaram a despertar interesse entre setores políticos de outros países da América Latina.

O intercâmbio envolve técnicas de distribuição de conteúdo, mobilização de militantes e comunicação direta com eleitores, especialmente em plataformas digitais.

Para a oposição argentina, o desafio será adaptar essas ferramentas à realidade política local, marcada pela fragmentação partidária e pela disputa entre diferentes lideranças do peronismo.

A agenda de Buenos Aires também aproxima duas discussões políticas: a influência da comunicação digital nas eleições e a tentativa de reorganização das forças de oposição aos governos de direita na América Latina.

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