22.9 C
Campinas
sexta-feira, abril 24, 2026
spot_img

Só um quarto dos estudantes diz estar bem informado sobre reforma da educação

Data:

reforma-educacao-alunos-entendimentoUma pesquisa divulgada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) aponta que apenas 53% dos estudantes brasileiros entre 13 e 18 anos afirmam estar a par das mudanças propostas pelo governo federal para o Ensino Médio. Dos estudantes que dizem estar acompanhando o tema, quase 52% admitem estar pouco ou mal-informados.

As críticas à Medida Provisória (MP 746/2016), que propõe a reestruturação do ensino médio, e à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Teto de Gastos, que visa limitar gastos do Governo Federal pelos próximos 20 anos, têm sido apontadas como motivos para que estudantes ocupem universidades e escolas públicas em todo o país. Os estudantes pedem que as reformas da educação sejam discutidas com a comunidade escolar e demonstram preocupação com possíveis cortes de verbas na educação. A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) contabiliza mais de mil estabelecimentos de ensino públicos ocupados. Em função disso, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicado no último final de semana, adiou para dezembro a realização da prova em 364 locais.

Para o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, os resultados da pesquisa “Os Jovens, a Educação e o Ensino Médio” sugerem que a discussão do tema está sendo superficial. Os dados foram obtidos a partir de entrevistas feitas com 2.002 jovens de 13 a 18 anos, entre os dias 8 e 18 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 2 pontos para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

Flexibilidade sim, aumento de jornada não

Perguntados sobre as principais propostas de mudanças, 65% responderam ser favoráveis à possibilidade do estudante substituir algumas das disciplinas tradicionais por matérias do ensino profissionalizante a partir da metade do Ensino Médio. Pouco mais de 26% dos entrevistados disseram ser contrários às mudanças, enquanto 6% responderam não ser nem a favor, nem contra e 2% não responderam.  Já o aumento da jornada diária de aulas de 4 horas para 7 horas foi rejeitada por 57% dos entrevistados e aprovada por 36%.

Quem indicou ter maior conhecimento conhecimento sobre as propostas foram os entrevistados do Sul (66%) e do Norte e Centro-Oeste (57%). Nas regiões Sudeste e Nordeste os percentuais dos jovens que afirmam estar inteirados cai para 53% e 46% respectivamente. O maior percentual de entrevistados que admitem não estar bem-informados foi registrado na Região Sudeste (44,4%), seguida pelo Nordeste (43,8%).

Campanha a favor

Ao apresentar o balanço do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nesse domingo (6), o ministro da Educação, Mendonça Filho, declarou que a maioria dos estudantes quer a reforma do ensino médio por considerá-lo atualmente “distante dos seus sonhos”.

“Acho que há muita desinformação sobre a reforma do ensino médio”, disse o ministro, defendendo a urgência da aprovação da MP 746 pelo Congresso Nacional. “A forma [como a reforma será feita] não é o mais relevante, mas os pressupostos para [a apresentação da] MP são dois: relevância e urgência do tema. Por isso o governo federal enviou e mantém a MP [no Congresso Nacional]. Espero e vou trabalhar politicamente para que ela seja aprovada até dezembro”.

Desde o último dia 28, o Ministério da Educação (MEC) está divulgando nos principais veículos de comunicação e redes sociais uma campanha publicitária para tentar convencer a população de que, com o novo modelo de ensino médio, os estudantes terão mais liberdade para escolher as áreas de conhecimento que mais lhes interesse. Ou mesmo optar pela formação técnica, caso queiram concluir o ensino e começar a trabalhar. Procurado, o MEC não informou o custo da veiculação da campanha.

“Sempre nos colocamos de forma aberta ao diálogo. Agora, [se] o Estado brasileiro tem que [respeitar] o princípio de que todos tem o direito de protestar, [precisa observar que] este direito se encerra quando começa o direito de outra pessoa, como o direito de ir e vir e do acesso à educação”, acrescentou o ministro ao comentar as ocupações. “Participarei de todos os debates necessários. Vamos exaurir a discussão, mas é preciso votar. Porque estamos discutindo esse assunto há 20 anos e não quero passar mais duas décadas discutindo”.

O diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, defende a necessidade de mudanças na grade curricular, sobretudo no tocante à valorização do ensino técnico. Para Lucchesi, outras pesquisas da entidade apontam que quase a totalidade dos brasileiros creem que a educação profissional é capaz de proporcionar melhores oportunidade para os jovens ingressarem no mercado de trabalho, resultando em melhores salários.

“Acho que o Brasil, seguramente, precisa de um maior diálogo entre o sistema educacional e um projeto de país. Com a discussão [de reforma do ensino médio], há, hoje, uma reflexão na sociedade. Esperamos que, no final, o Brasil tenha uma lei bem construída, fruto de um longo processo de debate iniciado com a aprovação da LDB [Lei de Diretrizes e Bases (https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm), em vigor desde 1996]”, comentou o diretor-geral do Senai, destacando a importância do ensino profissionalizante para a inserção de jovens no mercado de trabalho.

Procuradas, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) ainda não responderam aos pedidos de entrevista.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Unicamp abre curso gratuito para vestibular com aulas presenciais aos sábados em Campinas

Projeto Universidade Estadual de Campinas oferece 200 vagas por...

Campinas cria comitê permanente para monitorar aprendizagem na rede municipal

Novo grupo vai analisar desempenho de alunos e orientar...

TCESP faz operação surpresa em escolas e almoxarifados de SP

Fiscalização simultânea em 300 cidades mira distribuição de uniformes...

Super-ricos entram em 2026 concentrando mais riqueza que metade da população mundial

Relatório revela disparada histórica das fortunas e expõe impactos...
Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade