Mais corpos são encontrados e número sobe para 130 em chacina policial no Rio

Data:

Moradores da Penha denunciam massacre e levam corpos à Praça São Lucas; governo do estado confirma operação mais letal da história do Rio, com vítimas ainda sem identificação

POR SANDRA VENANCIO


O número de mortos após a megaoperação policial no Complexo da Penha e no Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, subiu para 134 nesta quarta-feira (29), segundo relatos de moradores e fontes locais. A ação, considerada a mais letal da história do estado, deixou a região em estado de choque e provocou protestos contra a violência das forças de segurança.

>> Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp

Não foi operação, foi execução”, disse uma moradora que preferiu não se identificar. Foto Reprodução

Durante a madrugada, dezenas de moradores desceram dos morros carregando corpos até a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas — uma das principais vias da Penha. A cena, descrita por testemunhas como “devastadora”, refletiu a tentativa da comunidade de organizar o reconhecimento das vítimas, diante da ausência de informações oficiais e do medo que se espalhou após os confrontos.

https://twitter.com/jejezaum/status/1983460624849064131

Segundo o governo do Rio de Janeiro, 60 suspeitos e 4 policiais foram mortos na operação, mas moradores afirmam que o número é muito maior. Corpos foram encontrados em áreas de mata da Serra da Misericórdia, na região conhecida como Vacaria, e ainda há relatos de pessoas desaparecidas.

“Em 36 anos de favela, passando por várias operações e chacinas, eu nunca vi nada parecido. É algo brutal e desumano num nível que não dá pra explicar”, afirmou o ativista Raull Santiago, que ajudou a remover corpos da mata com outros voluntários.

https://twitter.com/papel_em_branco/status/1983510920979489220

Os moradores optaram por deixar muitos corpos sem camisa para facilitar o reconhecimento por familiares, expondo tatuagens e marcas corporais. O Instituto Médico-Legal (IML) informou que o atendimento às famílias será feito no prédio do Detran, ao lado do instituto, com acesso restrito à Polícia Civil e ao Ministério Público.

Entidades de direitos humanos e organizações civis exigem uma investigação independente sobre a chacina. Para o Observatório da Segurança do Rio, a ação revela “a falência do modelo de confronto armado como política de segurança pública” e reacende o debate sobre o papel do Estado nas favelas cariocas.

Enquanto o governo classifica a operação como uma “grande ofensiva contra o crime organizado”, os moradores vivem o luto coletivo e a indignação. “Não foi operação, foi execução”, disse uma moradora que preferiu não se identificar.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Defesa de Flávio Bolsonaro tenta quatro vezes tirar de Dino investigação sobre emendas ligadas ao filme Dark Horse

Advogados do senador e candidato à Presidência querem que...

PF aponta que Vorcaro sabia de operação e tentou deixar o país antes da prisão

Relatório liberado pelo STF descreve contatos do ex-banqueiro com...

Troca: Crise com diretor da PF aumenta pressão sobre ministro da Justiça no governo Lula

Presidente Lula avalia troca de Wellington César Lima e...

Fachin manda Mendonça liberar em 24 horas todos os documentos do caso Master

Presidente do STF acolhe pedido da PGR e determina...
José Luiz, morador do Imperial Parque, foi localizado dentro do rio na noite de sábado (12), nas proximidades do coreto de Sousas; segundo os remadores, vítima apresentava sinais de...