
A galeria de exposições do saguão de entrada da Estação Cultura será reaberta, nesta terça-feira, 14 de abril, às 19h. A primeira atividade será uma experiência de multilinguagens, que contará a história do samba na cidade.
Unindo artes plásticas, música, programa de webtv ao vivo e tecnologias visuais à exposição de pinturas e imagens que ilustram a “História do Samba em Campinas”, o evento prestará uma homenagem a “Seo” Aluízio Jeremias, artista plástico negro de 74 anos, autodidata, que trabalhou como lixeiro para comprar seus pinceis e telas.
Nessa interação de linguagens, além de ver 25 pinturas de Jeremias e 15 imagens projetadas, o público terá a oportunidade de ouvir sambas de roda tocados por Mestre Alceu do ‘Urucungos’ – artista herdeiro dos Sambas ‘Roda’ e de ‘Bumbo’ – e TC Silva – pan-africanista, músico e liderança da ‘Rede Mocambos’. Os artistas vão transitar por ritmos como tiririca, sambas de enredo e histórias do artista campineiro, considerado genial e singular, menestrel em pinceladas naïf que narram as histórias das origens do samba na cidade.
A ideia da “História do Samba em Campinas” é que o público seja inserido em cenas e personagens vividos nos guetos de Campinas, cortiços e espaços reservados ao grande contingente negro pós-abolição. Um contingente que, apesar de todas as injustiças sofridas, resistiu e manteve viva a identidade cultural trazida da Africa, quando a “semba” – um ritmo angolano que convidava à umbigada e ao balanço – acabou, com o tempo, passando a ter um ritmo próprio, brasileiro, chamado “samba”.
A exposição tem o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e a participação da Casa de Cultura Tainã, Ponto de Cultura NINA, e Coletivo Socializando Saberes.
Aluízio Jeremias
“Seo” Aluízio é protagonista de boa parte da história de resistência, testemunha ocular de outra parte das lembranças, sambista e carnavalesco. Foi no cortiço Porteira Preta, localizado em uma fazenda desativada, que o menino cresceu entre a pobreza e o samba.
“O menino Aluízio observa da janela do cortiço, com olhar atento, cada detalhe, e registra na memória toda riqueza da sua história, e o ‘semba’ pulsa vivo e produz a alegria dos excluídos”, contam os narradores da história de vida de Aluízio Jeremias.
Apesar das privações na infância e na adolescência, o artista educou-se com os discos de jazz e de música erudita que a mãe, uma cearense analfabeta, trouxera de São Paulo.
Seu Aluízio foi passista e carnavalesco da GRES Estrela D’Alva e fundou a GCRES Rosa de Prata, da qual foi presidente, carnavalesco, compositor, entre outras funções. Como artista plástico, realizou mais de vinte exposições individuais, além de diversas coletivas.
Reconhecido por seu trabalho em defesa da cultura e identidade negras na cidade, foi agraciado pela Câmara Municipal de Campinas com o Diploma de Mérito ‘Zumbi dos Palmares’, em 2000. Os personagens do universo afro-brasileiro, sambistas, passistas, baianas e Orixás passeiam pelas suas telas.
Serviço
Exposição “História do Semba em Campinas”, de Aluízio Jeremias
Abertura com música ao vivo e transmissão do programa ao vivo “Batida de Ponto”
Data: de 15 de abril a 3 de maio
Abertura: 14 de abril às 19h
Local: saguão de exposições da Estação Cultura
Entrada gratuita
Estacionamento gratuito com entrada pela Vila Industrial- Rua Francisco Teodoro, 1050
Interessados em conhecer mais sobre Aluízio Jeremias podem visitar o site: www.aluizio.taina.org.br.
O programa pela web, ao vivo, poderá ser acessado no dia 14 de abril, a partir das 20h, pelo site www.socializandosaberes.net.br.
Para mais informações: Marcelo das Histórias (19) 98180-2535, TC Silva (19) 99197-5360 e Ponto de Cultura NINA (19) 3388-2947.




