20.9 C
Campinas
terça-feira, março 10, 2026
spot_img

Campinas registra o primeiro caso de zika

Data:

Sangue foi doado por morador da cidade em abril de 2015, afirma secretaria
Sangue foi doado por morador da cidade em abril de 2015, afirma secretaria

Campinas (SP) confirmou nesta terça-feira (2) que foi identificado o primeiro caso de zika vírus no município. Trata-se de um rapaz de 20 anos, morador da região sudoeste, que doou sangue ao Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, em abril do ano passado.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o registro foi descoberto somente após um receptor, à época internado há três meses na unidade de terapia intensiva (UTI), apresentar queda de plaquetas em exame – resultado atípico considerando-se quadro de saúde do paciente.

O secretário municipal de Saúde, Cármino de Souza, explicou que o doador de sangue não apresentava sintomas do zika vírus quando foi ao hospital, e depois disso também não fez nenhum comunicado sobre a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. O caso é considerado autóctone, uma vez que o jovem se deslocou apenas por regiões do município.

Além disso, a transfusão também não gerou complicações para a saúde do receptor, habitante de Cosmópolis (SP), internado na instituição após sofrer politraumatismo (foi baleado).

A alteração do exame, observada três dias após a transfusão, fez com que hospital realizasse processo de rastreabilidade para compreender a queda de plaquetas e identificar a origem do sangue doado.

Ao todo, 18 amostras foram enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e o resultado das análises foi comunicado ao município somente em 28 de janeiro.

“Nós podemos dizer que o zika vírus está circulando em nosso município provavelmente há alguns meses. Não sabemos em que intensidade, o quanto esse vírus impactou no número de casos de dengue no ano passado, tivemos uma grande epidemia, e acho que essa informação é importante para que a gente faça planejamentos daqui para frente”, explicou o secretário em reunião na Prefeitura.

Intervalo para resposta
De acordo com Souza, o intervalo de quase nove meses entre ocorrência e divulgação do primeiro caso de paciente infectado pelo zika vírus deve-se às limitações e complexidade – uma vez que o receptor recebeu bolsas de sangue doadas por 18 pessoas no período de internação.

“Depois da positividade do paciente, foram separadas 18 amostras e 17 delas foram descartadas. O tempo foi do laboratório, não nosso. Com a limitação que temos hoje, numérica e metodólgica, os casos terão retardo entre momento e confirmação.”

A Prefeitura informou que seis notificações de zika vírus ainda são investigadas pelo Instituto Adolfo Lutz, e não há prazo para os resultados. Outras 19 já foram descartadas.

“Diagnósticos são apenas por métodos moleculares, isso limita questão do diagnóstico. A disponibilidade de testes do Adolfo Lutz ainda é bastante reduzida no estado.”

Cuidados e doação segura
O diretor técnico da Divisão de Hemoterapia do Hemocentro da Unicamp, Marcelo Addas Carvalho, explicou que o receptor do plasma com zika vírus não resistiu, porém, ele não teve nenhuma manifestação clínica da doença e a transfusão também não causou complicações.

“Era um paciente bastante grave e que, dentro da evolução clínica, apresentou exame alterado com plaquetas baixas, o que é compatível com dengue. Por questões de investigação científica foi solicitado exame para tentar caracterizar o quadro clínico”, falou ao destacar que o resultado também era improvável, uma vez que o paciente estava internado há três meses na UTI.

Para Addas Carvalho, o resultado do processo é importante para caracterização epidemiológica da doença no município, e para reforçar medidas atreladas ao processo de doação de sangue.

“É reforçar a relevância, para segurança transfusional, do acompanhamento de pacientes receptores de transfusão. E do compromisso dos doadores, além de manter os estoques que são indispensáveis, nos informarem no período de até 15 dias após a doação se eles apresentarem alguma manifestação clínica de um quadro infeccioso, febre ou qualquer outra”, falou.

Segundo ele, não há necessidade de alterar processos no Hemocentro da Unicamp. “Nosso processo está bem estruturado, consegue identificar efeitos colaterais e garante à população sangue seguro e em quantidade suficiente”, destacou o diretor.

Carvalho mencionou que outros dois pacientes receberam o sangue doado pelo morador de Campinas, e eles não apresentaram sintomas. Um deles morreu porque estava em estado grave, enquanto o outro paciente, que era de fora do estado, não foi localizado após sair do HC.

Mudanças
De acordo com Cármino de Souza, o município registrou 40 casos confirmados de dengue em janeiro, e outros 130 foram descartados. O plano do Executivo é tentar, “na medida do possível“,  testar todos os casos negativos para apurar se os pacientes foram infectados com zika vírus.

“Não sei em qual ritmo, porque depende do Adolfo Lutz. Nós temos uma janela muito estreita de diagnóstico. Provavelmente muitos não serão identificados”, falou o secretário.

Microcefalia
Em relação aos casos de microcefalia, Campinas acumula 22 notificações desde o ano passado, das quais 15 são de moradores da cidade. De acordo com o Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), três deles podem estar associados ao zika vírus, mas não há previsão de quando os resultados devem ser divulgados pelo Instituto Adolfo Lutz. Para agilizar análises dos casos, o município discute parceria com o Instituto de Biologia, da Unicamp.

“Por enquanto, nenhum está confirmado”, falou a diretora do departamento, Brigina Kemp.

Balanço estadual
De acordo com a Secretaria da Saúde do estado, 17 casos estão em investigação, e destes, pelo menos um é de Campinas. No entanto, de acordo com a pasta, ainda não é possível afirmar se eles são autóctones ou importados (quando a infecção ocorre em outro estado).

No ano passado, segundo a pasta, foram quatro casos confirmados autóctones de zika vírus no estado, dois deles em Sumaré (SP).

Microcefalia
Já sobre as ocorrências de microcefalia, segundo a pasta, foram 126 notificações de novembro de 2015 a janeiro deste ano.

Das notificações, 21 estão associadas a uma possível infecção por zika vírus. Entre os casos, na região, há registros em Campinas, Mogi Guaçu, Estiva Gerbi e Sumaré.

No país
O Ministério da Saúde investigava 3.448 casos suspeitos de microcefalia em todo o país até a quarta-feira (27). O boletim divulgado apontava também que 270 registros já tiveram confirmação da malformação, sendo que seis com relação ao vírus zika.

Outros 462 casos notificados já foram descartados. Ao todo, 4.180 ocorrências de microcefalia foram registrados até 23 de janeiro.

Fonte: G1

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Anvisa libera primeiro genérico do Dexilant contra refluxo e azia

Registro abre caminho para tratamento mais barato do refluxo...

Brasil tem quase 284 mil órfãos de pai ou mãe pela covid — vidas interrompidas deixam marcas em toda a infância

Estudo revela desigualdades regionais e alerta para impactos sociais...

Maior mutirão da história do SUS realiza mais de 34 mil atendimentos em um único dia

Ação “Ebserh em Ação – Agora Tem Especialistas” mobilizou...

Governo anuncia hospital inteligente 100% SUS no RS com investimento de R$ 1 bi

Unidade vai integrar maternidade, pediatria e centro obstétrico em...
Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade