Operações da Receita e Gaeco cumprem mandados em Campinas contra sonegação e lavagem de dinheiro

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Receita Federal e Gaeco cumprem dois mandados na cidade durante investigação sobre empresas de fachada, fraudes na cobrança de ICMS e ocultação de patrimônio por meio de fundos de investimento. Foto Receita Federal

Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Campinas na manhã desta quarta-feira (4), durante a deflagração da segunda fase da Operação Enxágue e da Operação Catéter. As ações conjuntas, conduzidas pela Receita Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, miram esquemas sofisticados de sonegação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e lavagem de dinheiro. Os endereços e as identidades dos alvos na metrópole não foram divulgados pelas autoridades.

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As investigações apontam que grupos criminosos atuavam no comércio de subprodutos de origem animal, como sebo e gordura — insumos essenciais para a fabricação de biodiesel e o processamento de couro. O esquema consistia no fornecimento de mercadorias sem a emissão de documentação fiscal ou com o registro das operações em nome de empresas de fachada, conhecidas no meio como “noteiras”. A partir da simulação dessas vendas, indústrias adquirentes geravam créditos indevidos de ICMS sem que o tributo fosse efetivamente recolhido, transferindo os débitos fiscais para pessoas jurídicas sem patrimônio ou existência física real.

Para ocultar os verdadeiros operadores do esquema, a organização utilizava interpostas pessoas — conhecidas popularmente como “laranjas”. Segundo o Gaeco, figuravam formalmente como sócios e gestores das empresas desde trabalhadores de baixa renda e pessoas com documentos falsificados até indivíduos já falecidos. Paralelamente, o grupo utilizava fundos de investimento para antecipar valores vinculados a duplicatas fraudulentas e títulos sem garantia, reintroduzindo o capital no mercado formal por meio da aquisição de imóveis, veículos de luxo e participações societárias.

No total, as operações mobilizaram agentes para o cumprimento de 64 mandados de busca e apreensão distribuídos por 28 municípios nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em território paulista, além das buscas efetuadas em Campinas, foram cumpridas ordens judiciais na capital, em Barretos e em Rancharia.

A Justiça Estadual determinou o bloqueio cautelar de até R$ 271,4 milhões em bens e ativos financeiros pertencentes aos investigados. Apenas na Operação Enxágue II, na qual a Receita Federal catalogou ao menos 35 empresas fictícias, o bloqueio alcançou R$ 143,3 milhões. Já na Operação Catéter, a indisponibilidade patrimonial fixada foi de R$ 128 milhões, englobando a restrição sobre mais de 80 imóveis, 103 veículos, uma moto aquática, ativos de dez fundos de investimento e recursos custodiados em quatro instituições financeiras.

Os envolvidos respondem por suspeitas de organização criminosa, sonegação fiscal, falsidade ideológica e lavagem de capitais. Todo o material apreendido durante as diligências desta manhã passará por auditagem técnica da Receita Federal e análise probatória do Ministério Público.

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