A ginasta brasileira Jade Barbosa descobriu uma lesão no punho direito, após as Olimpíadas de Pequim, chamada osteonecrose, causado por trauma ou por esforço repetitivo. A orientação do médico da atleta foi para que ela faça tratamento com fisioterapia, que poderá evitar a necessidade de cirurgia. Diagnósticos médicos como este, orientando o tratamento conservador através das técnicas e tecnologias da fisioterapia avançada são cada vez mais comuns.
Outro tipo de patologia bastante comum, a hérnia de disco, pode ser prevenida e tratada com fisioterapia. Só em 2009, dois outros esportistas tiveram que interromper suas temporadas para cuidarem deste tipo de problema. 0O jogador de futebol italiano Alessandro Nesta, do Milan, não conseguiu escapar da cirurgia e deve ficar sem jogar pelos próximos meses. Já o zagueiro brasileiro Roger, ex-Fluminense e Grêmio, precisou voltar ao Brasil para tratar com fisioterapia uma hérnia de disco que o obrigou a cancelar sua transferência para um time dos EUA. Assim como Jade, ele também espera não precisar operar.
A hérnia de disco é mais freqüente nas regiões lombar e cervical, e pode ser causada por fatores como fazer esforço exagerado em flexão, ao carregar peso de forma irregular, obesidade, traumatismos, deformidade da coluna, alterações degenerativas, idade, neoplasia ou sedentarismo. “O prognóstico do médico especialista é fundamental em todos os casos, seja atleta ou não”, explica Roberto Serafim, fisioterapeuta chefe do instituto que leva seu nome, em Campinas. Segundo ele, cada vez menos pessoas com hérnia de disco que procuram um bom tratamento fisioterápico fazem cirurgia.
Cotidiano sem dor
O retorno em tempo relativamente rápido às atividades cotidianas e a sensível diminuição de dores agudas são motivos que justificam a boa porcentagem de adesão dos pacientes ao tratamento conservador com fisioterapia. “A importância do tratamento fisioterápico de dores na coluna por hérnia de disco, artroses e escolioses é imensa, pois muda a vida da pessoa. Em muitos casos, o paciente chega à clínica não apenas com dores agudas ou crônicas, mas em alguns casos até com baixa auto-estima por consequência desta condição. Um tratamento adequado e bem direcionado promove a diminuição da dor e restauração das funções, devolvendo a pessoa ao seu cotidiano social e profissional”, revela Serafim.
Nos casos de dores nas costas em geral, o fisioterapeuta também é capaz de evitar cirurgias, pois além das técnicas clínicas, o profissional desenvolve o aspecto didático em que consegue, aos poucos, mudar hábitos de dentro da casa de seu paciente: a forma de praticar atividades simples como assistir televisão, a posição de dormir, de ficar no sofá da sala, a postura das costas durante o trabalho entre outras orientações. Assim, “aliviar as dores e eliminar os fatores que as provocam, além das técnicas de tratamento em si, é outro desafio do fisioterapeuta, pois nem sempre pacientes encaram as atitudes de mudança da vida diária com naturalidade”, alerta Serafim.
No instituto Roberto Serafim, a piscina também recebe muitos pacientes com o objetivo de não precisarem passar pelo bisturi do cirurgião. “A hidroterapia é muito indicada pelos médicos e bem recebida pelos pacientes encaminhados para a clínica, atuando também na recuperação e prevenção de problemas que podem se agravar, como lombalgias por esforço”, explica.
Por fim, um último exemplo de patologia que pode ser tratada com antecipação, evitando uma cirurgia, tem também um paciente famoso. A bursite e o presidente Lula já caminham juntos há algum tempo e embora Lula já tenha feito intervenção cirúrgica, a doença deve ser acompanhada por médico e fisioterapeuta em tratamento com técnicas e equipamentos modernos que podem evitar a operação.
Sobre Roberto Serafim
Professor universitário e fisioterapeuta chefe do instituto que leva seu nome, Roberto Serafim é pós-graduado pela Escola Paulista de Medicina e mestrando pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Especializações em Terapia Manual (restauração de funções articulares), Acupuntura e Pilates. Palestrante com passagens por equipes médicas de times profissionais de futebol e basquete.
É membro do Grupo de Medicina Esportiva da PUC-Campinas.




